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Brasil

Tornado destrói cidade no Paraná: seis mortos, centenas de feridos e estado de calamidade é decretado

Tragédia em Rio Bonito do Iguaçu deixa rastro de destruição, 90% das casas afetadas e centenas de pessoas desabrigadas

O Paraná viveu uma de suas maiores tragédias climáticas nesta sexta-feira, 7 de novembro de 2025. Um tornado de grande intensidade atingiu a região centro-sul do estado, devastando o município de Rio Bonito do Iguaçu e causando pelo menos seis mortes confirmadas, mais de 400 feridos e uma pessoa ainda desaparecida. O governo estadual decretou estado de calamidade pública na madrugada deste sábado (8), diante da destruição generalizada e do colapso na infraestrutura local.

De acordo com informações preliminares da Defesa Civil, o fenômeno começou por volta das 17h30 e durou cerca de dez minutos, tempo suficiente para transformar o cenário urbano em um verdadeiro campo de guerra. O Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) confirmou que o tornado atingiu intensidade equivalente à categoria F2 da Escala Fujita, com ventos que ultrapassaram os 200 km/h. Em alguns pontos, há suspeita de que a força dos ventos tenha alcançado picos de 250 km/h, o que o colocaria na faixa de um tornado F3.

Mortes e desaparecidos

Até a manhã deste sábado (8), seis mortes foram oficialmente confirmadas.
Cinco das vítimas estavam em Rio Bonito do Iguaçu — três homens (de 49, 57 e 83 anos), uma mulher (47 anos) e uma adolescente de apenas 14 anos. A sexta vítima fatal foi um homem de 53 anos, morador de Guarapuava, município vizinho que também foi parcialmente atingido pelo fenômeno.

As equipes de resgate seguem em busca de uma pessoa desaparecida. Duas outras que haviam sido dadas como desaparecidas foram localizadas com vida durante a madrugada. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ao menos 437 pessoas ficaram feridas, nove delas em estado grave.

Destruição quase total

O cenário em Rio Bonito do Iguaçu é de devastação completa. A prefeitura estima que entre 80% e 90% das residências do município tenham sido total ou parcialmente destruídas. Casas foram arrancadas do chão, veículos arremessados por dezenas de metros, árvores e postes de energia retorcidos.

O prefeito local descreveu a situação como “a pior catástrofe da história do município”. Escolas, unidades de saúde e prédios públicos foram danificados, e o hospital da cidade opera com capacidade máxima, atendendo centenas de feridos.

Cerca de 3.800 imóveis estão sem energia elétrica, e o número de domicílios afetados no estado chega a mais de 200 mil, segundo a Copel.

Ajuda e mobilização

Equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Exército, Samu e voluntários trabalham sem parar no resgate e socorro às vítimas. O governo do Paraná enviou helicópteros, caminhões, ambulâncias e maquinário pesado para o município.

O governador Ratinho Júnior declarou que o estado fará todo o possível para reconstruir a cidade e garantiu que o decreto de calamidade pública permitirá liberação imediata de recursos emergenciais. O governo federal também anunciou o envio de técnicos e ajuda humanitária para a região.

Abrigos provisórios foram montados em escolas e ginásios esportivos para acolher famílias que perderam suas casas. Organizações civis e igrejas locais iniciaram campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e cobertores, além de doações em dinheiro para a reconstrução.

Causas do fenômeno

Meteorologistas explicam que o tornado foi resultado da combinação de uma frente fria intensa, vinda do Sul do continente, com ar quente e úmido da Amazônia, criando uma supercélula — o tipo de tempestade mais propício para tornados de grande destruição.

Os ventos concentrados, aliados a fortes chuvas e granizo, transformaram o fenômeno em um dos mais violentos já registrados no Paraná. Segundo o Simepar, as condições atmosféricas permanecem instáveis e há risco de novos temporais isolados nos próximos dias.

O rastro de destruição

A força do tornado foi tamanha que ônibus, caminhões e tratores foram virados e lançados a dezenas de metros de distância. As imagens aéreas mostram bairros inteiros reduzidos a escombros, enquanto moradores ainda tentam encontrar pertences pessoais em meio aos destroços.

Estradas como a PRC-158 e PRC-466 ficaram bloqueadas por árvores, entulhos e veículos. O acesso à cidade foi temporariamente controlado para facilitar o trabalho das equipes de resgate e segurança.

Solidariedade e recomeço

Apesar da tragédia, o clima de solidariedade tem marcado os esforços na cidade. Moradores de municípios vizinhos levaram doações e ofereceram abrigo a famílias desabrigadas. Igrejas e ONGs locais atuam na distribuição de marmitas, água potável e kits de higiene.

O governo estadual informou que nenhuma família ficará desassistida, e que nos próximos dias será iniciado o levantamento para reconstrução de moradias e restabelecimento da infraestrutura.

O tornado que atingiu o Paraná entra para a história como um dos mais violentos já registrados no Sul do Brasil. A tragédia escancarou a força imprevisível da natureza e a urgência de políticas preventivas de defesa civil mais estruturadas.

Enquanto os ventos cessam, o desafio agora é reerguer Rio Bonito do Iguaçu, reconstruindo não apenas casas e estradas, mas também a esperança de milhares de paranaenses que perderam tudo em poucos minutos.

Redação BR Times
📅 Atualizado em 8 de novembro de 2025

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