A senadora Soraya Thronicke, que chegou ao Senado em 2018 impulsionada pela força do bolsonarismo e se apresentando como a “senadora do Bolsonaro”, decidiu assumir de vez sua guinada ideológica. O movimento, que seus próprios aliados chamam de “nova skin”, vem sendo marcado por gestos cada vez mais alinhados ao governo Lula e ao campo progressista.
O passo mais simbólico dessa mudança foi sua declaração de voto favorável à indicação de Jorge Messias, o “Bessias”, para o Supremo Tribunal Federal. Soraya, única representante de Mato Grosso do Sul na CCJ, está entre as raras senadoras que anunciaram publicamente apoio ao indicado de Lula — algo que causou surpresa e irritação entre eleitores de direita no Estado.
Rumo à esquerda em 2026
Nos bastidores de Brasília, a postura de Soraya é vista como parte de uma estratégia para se aproximar do Planalto e tentar garantir espaço político em 2026, quando duas vagas ao Senado estarão em disputa em Mato Grosso do Sul.
Interlocutores afirmam que a senadora quer apresentar-se como a “segunda opção da esquerda” no Estado, tentando formar uma dobradinha com Simone Tebet ou com Vander Loubet (PT), dependendo da costura que Lula e seus aliados acharem mais conveniente.
A aposta de Soraya é convencer o governo de que pode enfrentar candidatos ligados à direita — justamente o mesmo grupo político que um dia garantiu sua vitória nas urnas e que ela abandonou ao longo do mandato.
O voto declarado a Messias funciona como mais um aceno para Lula, consolidando a ruptura definitiva com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Clima de tensão na CCJ e desgaste com Alcolumbre
Na CCJ, o apoio antecipado de Soraya a “Bessias” a coloca em um grupo restrito de parlamentares que se posicionaram abertamente sobre o tema. Segundo o jornal O Globo:
• 4 senadores declararam voto favorável;
• 4 já se manifestaram contra;
• 3 estão indecisos;
• 17 preferiram não se pronunciar.
A votação ocorre em meio a uma crise entre o Senado e o Palácio do Planalto. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ficou profundamente irritado com o fato de o governo não tê-lo consultado previamente sobre a escolha. Em conversa reservada, declarou que será um “novo Davi” para o governo, deixando claro que Lula terá dificuldades se insistir em ignorar o Senado nas decisões estratégicas.
A insatisfação aumentou porque havia expectativa de que Rodrigo Pacheco fosse o indicado — nome bem visto tanto por parlamentares quanto por ministros do Supremo.