O chefe do Executivo paranaense não disputará nenhum cargo nas eleições de outubro. A decisão oficial cita motivos familiares, mas ocorre em meio a pressões do PL e à aliança de Flávio Bolsonaro com Sergio Moro.
Nesta segunda-feira (23), o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), comunicou sua saída da disputa pela Presidência da República. Em nota, foi confirmado que ele permanecerá à frente do Palácio Iguaçu até o término de seu mandato, em 31 de dezembro de 2026, descartando inclusive uma eventual candidatura ao Senado.
Caso optasse por concorrer a qualquer cargo no pleito, a legislação exigiria sua desincompatibilização do governo até o próximo dia 4 de abril, o que passaria o comando do estado ao seu vice, Darci Piana (PSD).
Os bastidores da desistência
Oficialmente, o comunicado emitido à imprensa não detalha os motivos políticos, limitando-se a informar que a escolha foi feita após uma “profunda reflexão” em família no último domingo (22). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi notificado da decisão nesta segunda-feira.
No entanto, o recuo acontece sob forte pressão nos bastidores políticos:
- Ultimato do PL: Na semana anterior, Ratinho Jr. foi convocado para uma conversa com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. A mensagem foi clara: ou o governador abria mão da candidatura, ou o Partido Liberal apoiaria a eleição de Sergio Moro ao governo do Paraná.
- Rompimento e aliança: Ratinho inicialmente recusou a imposição e declinou do convite para ser vice na chapa de Flávio. Como retaliação, dias depois, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo ao lado de Moro, anunciando o ingresso do senador no PL e o endosso à sua corrida pelo Executivo estadual.
Cenário fragmentado no Paraná
O movimento do PL fragilizou a base de Ratinho Jr. em seu próprio estado, elevando o risco de não conseguir eleger seu sucessor escolhido, Guto Silva (PSD). Atualmente, Sergio Moro desponta na liderança das pesquisas.
Além disso, o PSD paranaense começou a lidar com defecções recentes:
- O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, também pré-candidato ao Governo, migrou para o MDB.
- O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ameaça se transferir para o Republicanos para entrar na disputa.
No cenário nacional, com a saída de Ratinho, os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) seguem como os pré-candidatos do PSD à Presidência.
Destaques do comunicado oficial
Na nota divulgada, a equipe do governador ressaltou conquistas de sua gestão e os planos para o futuro:
- Compromisso: Ratinho afirma ter convicção de que deve honrar o compromisso selado com os paranaenses em 2018 e não interromper o projeto de crescimento econômico do estado.
- Balanço da gestão: O texto cita que a gestão alcançou 85% de aprovação, destacando a consolidação da “melhor educação do Brasil”, redução de índices criminais para os menores patamares em 20 anos, investimentos recordes em infraestrutura e a conquista, por quatro vezes consecutivas, de excelência em sustentabilidade.
- Apoio ao partido: Ele se coloca à disposição do PSD para apoiar pautas como desburocratização, endurecimento de leis penais e fortalecimento do agronegócio.
- Retorno à iniciativa privada: Reeleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Carlos Massa Ratinho Júnior (natural de Jandaia do Sul) informou que, ao concluir seu mandato em dezembro, pretende voltar ao setor privado para presidir o Grupo de Comunicação fundado por seu pai, o apresentador Ratinho.