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Política

PL lança candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em convenção nacional

Senador oficializa nome em São Paulo sem vice definido, aposta na segurança pública e defende anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro

São Paulo — O Partido Liberal (PL) deu início na manhã deste sábado (25), em São Paulo, à convenção nacional que oficializa a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A programação do evento abrange discursos de lideranças da sigla e a participação do presidente da Argentina, Javier Milei. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, embora ausente presencialmente, gravou um vídeo para exibição no encontro e foi homenageada com um totem no espaço do PL Mulher.

A chegada do parlamentar gerou tumulto no acesso ao recinto, com simpatizantes aglomerados na área externa. De acordo com a equipe de segurança, o local atingiu sua capacidade máxima de 150 pessoas. Entre os familiares presentes na abertura estava Rogéria Bolsonaro, mãe do candidato e ex-esposa de Jair Bolsonaro. Indicada como primeira suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro, ela foi apresentada no palco pelo mestre de cerimônias.

Aos 45 anos, empresário e advogado, Flávio Bolsonaro concorre pela primeira vez ao Palácio do Planalto. Filho mais velho do ex-presidente, ele exerce mandato de senador desde 2018, após cumprir quatro mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro e disputar a prefeitura da capital fluminense em 2016, quando encerrou o pleito na quarta colocação. Sua indicação como herdeiro político e representante da família na disputa eleitoral foi anunciada pelo pai em dezembro.

O senador chega à convenção sem a definição do nome que ocupará a vice-presidência na chapa. Flávio tem manifestado preferência por uma mulher na composição, mas ressalta que a escolha permanece atrelada às negociações para a formação de alianças partidárias — estratégia que também visa ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Legendas como Republicanos e a federação integrada por PP e União Brasil, no entanto, sinalizam inclinação pela neutralidade.

Caso avance um acordo com o Republicanos, a economista Daniella Marques surge como cotada para a vaga. Filiada ao partido, ela presidiu a Caixa Econômica Federal durante a gestão Bolsonaro e atualmente coordena o núcleo econômico da pré-campanha do senador. No âmbito do PP, ganha força o nome da deputada federal Simone Marquetto, liderança católica por São Paulo, enquanto a senadora Tereza Cristina descartou compor a chapa. Sem coligações externas até o prazo limite de 15 de agosto, o PL — detentor das maiores bancadas na Câmara e no Senado — estuda lançar uma chapa "puro-sangue", com outro nome da própria sigla.

O calendário eleitoral já registra outras movimentações na corrida presidencial. O empresário Renan Santos (Missão) teve sua candidatura anunciada ao lado do vice Aroldo Medina. Para os próximos dias, estão previstas as convenções de Ronaldo Caiado (PSD) no domingo (26), em São Paulo, tendo Gilberto Kassab como vice; de Romeu Zema (Novo) na segunda-feira (27), em Brasília, ainda sem vice definido; e do presidente Lula (PT) no dia 2 de agosto, em São Paulo, repetindo a chapa com Geraldo Alckmin.

No cenário das pesquisas de intenção de voto, levantamento da Quaest divulgado em dezembro apontava Flávio como principal opositor de Lula, registrando entre 21% e 27% no primeiro turno. A curva ascendente do senador atingiu o pico em maio, quando somou 33%, diante de 39% do petista. Na medição deste mês, contudo, o parlamentar recuou para 28%, ficando 12 pontos atrás do atual mandatário. A oscilação coincide com a repercussão do caso denominado "Dark Horse", que envolve a cobrança de recursos ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Na última quinta-feira (23), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar os repasses de Vorcaro e se os valores teriam sido utilizados para custear despesas do deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos. Em paralelo, um segundo inquérito, autorizado pelo ministro Flávio Dino, apura indícios de desvio de emendas parlamentares em benefício da produtora responsável pela obra cinematográfica.

A pré-campanha também enfrentou tensões recentes causadas pelas sobretaxas anunciadas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros e por divergências internas com Michelle Bolsonaro, influência estratégica junto ao eleitorado feminino e evangélico. Em junho, a ex-primeira-dama publicou um vídeo relatando ter sido maltratada pelo enteado em meio a disputas por alianças no Ceará. O conflito foi superado na quinta-feira, quando Flávio divulgou um pedido público de desculpas e a convidou para integrar a campanha, recebendo resposta favorável nas redes sociais:

"Aceito teu pedido. Eu te desculpo."

A manifestação de Michelle sela a trégua interna em um momento de reposicionamento de discurso do candidato. Ao lançar sua pré-candidatura em dezembro, Flávio buscou projetar um perfil moderado para o empresariado, argumentando que sempre representou uma postura mais centrada no cenário político. Contudo, nas últimas semanas, o tom foi endurecido em críticas diretas ao STF após o ministro Alexandre de Moraes proibi-lo de visitar o pai por 90 dias. A medida judicial foi motivada pela divulgação de uma carta na qual o ex-presidente designava o filho como porta-voz e reforçava apoio à sua campanha — ato interpretado pelo Supremo como propaganda eleitoral irregular e violação das regras da prisão domiciliar.

Na semana passada, em encontro com diplomatas em Brasília, o senador reiterou alegações infundadas sobre a segurança das urnas eletrônicas, teses já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A conduta remeteu à reunião ministerial e ao encontro com embaixadores promovidos por Jair Bolsonaro em 2022, episódios que resultaram na condenação do ex-presidente por abuso de poder político e na sua consequente inelegibilidade.

No histórico jurídico de Flávio figuram investigações iniciadas em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sobre um suposto esquema de desvio de salários de assessores parcerias parlamentares ("rachadinhas") e lavagem de capitais em transações imobiliárias e em uma franquia de chocolates. As apurações decorreram de movimentações financeiras atípicas identificadas na conta do ex-assessor Fabrício Queiroz. As provas foram posteriormente anuladas pelas instâncias superiores do Judiciário sob o entendimento de violação do foro privilegiado. Na mesma época, o parlamentar adquiriu uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília com financiamento do Banco de Brasília (BRB); registros bancários de 2024 demonstraram que o empréstimo foi quitado com 27 anos de antecedência.

No eixo programático, a plataforma de governo do candidato destaca o plano de segurança pública "Brasil sem Medo", que propõe a redução da maioridade penal, a tipificação de facções criminosas como organizações terroristas e a instituição da castração química para condenados por estupro. Voltado ao público feminino, o programa "Brasil por Elas", formulado ao lado de Daniella Marques, prevê a expansão do acesso à internet e linhas de microcrédito específicas para empreendedoras. Como meta central de seu eventual governo, Flávio assegura que trabalhará pela anistia do pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, almejando receber de Jair Bolsonaro a faixa presidencial na cerimônia de posse.


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