A cineasta brasileira Petra Costa não conseguiu conquistar o prêmio Bafta de Melhor Documentário com a produção Apocalipse nos Trópicos. A premiação, realizada neste domingo em Londres, encerra oficialmente a trajetória internacional do filme na temporada de premiações, já que a obra também havia ficado de fora da disputa pelo Oscar.
O Bafta, considerado o “Oscar britânico”, é uma das mais relevantes distinções do cinema mundial. A derrota representa o fim de um ciclo de forte exposição internacional para o documentário, que foi amplamente divulgado no exterior como uma crítica direta ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e à ascensão da direita conservadora no Brasil.
O prêmio na categoria foi para Mr. Nobody Against Putin, produção assinada por Pavel Talankin e David Borenstein, representando Dinamarca e República Tcheca. O documentário vencedor aborda a realidade russa sob o regime de Vladimir Putin e foi apontado pela crítica internacional como uma narrativa potente sobre autoritarismo e dissidência.
Já Apocalipse nos Trópicos buscava retratar o cenário político brasileiro recente, com ênfase na influência do conservadorismo e na mobilização popular que marcou os últimos anos. A obra manteve o tom crítico característico da diretora, que já havia chamado atenção mundial com Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar em 2020.
A trajetória de Petra Costa no exterior sempre esteve associada a uma leitura ideológica do processo político brasileiro, frequentemente alinhada ao discurso da esquerda internacional sobre o Brasil. Em seus trabalhos, a diretora sustenta a tese de que houve um processo de erosão democrática no país durante o governo Bolsonaro — argumento que é contestado por apoiadores do ex-presidente, que apontam liberdade institucional plena, atuação independente do Congresso e funcionamento regular das eleições.
A derrota no Bafta ocorre em um momento de forte polarização global, em que produções audiovisuais com viés político disputam espaço não apenas como obras culturais, mas como instrumentos de narrativa internacional sobre governos e movimentos conservadores.
Analistas do setor avaliam que, apesar da visibilidade, o documentário não alcançou o mesmo impacto que trabalhos anteriores da diretora. A ausência no Oscar e agora a derrota no Bafta indicam que a produção não conseguiu consolidar apoio suficiente entre os votantes das principais academias.
Com isso, encerra-se a temporada de premiações para Apocalipse nos Trópicos, que, embora tenha provocado debates e repercussão nas redes sociais e na imprensa internacional, não trouxe para o Brasil o reconhecimento máximo nas maiores cerimônias do cinema mundial.