Espécies como ipês, jacarandá, angico, manduvi e exemplares frutíferos integram as 250 mudas que serão cultivadas no batizado “Bosque da COP15”. O local será um patrimônio verde do maior congresso mundial focado na conservação de animais silvestres migratórios, agendado para acontecer em Campo Grande entre os dias 23 e 29 de março.
O propósito da iniciativa, elaborada em conjunto com a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), consiste em expandir a cobertura arbórea das vias urbanas. A meta é chamar a atenção da fauna para alimentação e refúgio, fortalecendo paralelamente a biodiversidade da região.
A ação obedece à métrica 3-30-300, um padrão internacional voltado ao planejamento verde das cidades. Essa regra estabelece que todo cidadão deve conseguir enxergar pelo menos três árvores de sua janela, que os bairros apresentem uma cobertura vegetal de no mínimo 30% e que todos os moradores residam a uma distância máxima de 300 metros de um parque ou bosque.
“Já temos observado áreas para a realização desse plantio, seguindo essa diretriz. A área escolhida já estava em nosso radar e, com a COP15, entendemos que este é o momento ideal”, detalha a gerente de Arborização da Semades, Dayane Zanela.
Na visão da prefeita Adriane Lopes, o plantio desses exemplares consolida um esforço contínuo de proteção ambiental, fator que contribuiu para a escolha do município como anfitrião do evento. “Medidas como o plantio dessas mudas ajudam a explicar por que Campo Grande já foi reconhecida sete vezes com o título de Tree Cities of the World, já que a preservação da fauna e flora é uma preocupação contínua”.
A região selecionada para abrigar a vegetação foi o bairro Carandá Bosque, local onde a família de Marcely Moraes reside há aproximadamente 24 anos. “Eu adoro sempre que os pássaros passam por aqui. Um bosque aqui será perfeito. Assim como eu cresci brincando aqui, minha filha também vai poder”, declara a moradora.
Para além de aumentar a presença de árvores no município, o terreno tem potencial para se converter em um ponto inédito de convivência e lazer, conectando a população ao meio ambiente e estabelecendo um legado ecológico definitivo para Campo Grande.
“Plantar um bosque aqui na frente é trazer mais alegria, com os pássaros cantando dia e noite. Isso é uma terapia para quem gosta”, avalia Fátima Miguel, que habita a região há vinte anos.
Na capital sul-mato-grossense, pesquisas indicam que 20% das aves possuem hábitos migratórios, número que equivale a cerca de 80 espécies cruzando o território urbano. Sendo assim, o novo espaço auxiliará de forma direta na conservação da flora e da fauna locais.
(Jucelino, morador da localidade há mais de duas décadas, acompanhado de sua filha de quatro anos)
O projeto é acolhido com um toque de otimismo pela vizinhança. Esse é o caso do jardineiro Jucelino Pereira, que reside no bairro desde os 24 anos e encara a novidade como um avanço importante: “Minhas meninas gostam muito de ver os pássaros. Agora vamos ter isso na porta de casa, aumentando ainda mais esse contato com a natureza”, garante.
(A imagem de destaque exibe as mudas alocadas no Viveiro Municipal Flora do Cerrado)