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Brasil

Carnaval de nicho: Blocos adaptados para bebês e idosos faturam alto transformando inclusão em negócio

Empreendedores de São Paulo e do interior do Rio de Janeiro lucram até R$ 70 mil no mês da folia ao oferecerem estrutura especializada para públicos que ficavam de fora da festa.

Empreendedores estão encontrando oportunidades lucrativas no carnaval ao adaptarem a tradicional folia de rua para públicos com necessidades específicas. Em São Paulo e em Nova Friburgo (RJ), iniciativas voltadas para a primeira infância e para a terceira idade mostram que, com a estrutura correta, a inclusão pode se tornar um modelo de negócio rentável.

O Bloco do Berço (SP)

Na capital paulista, o empresário Diogo Rios transformou uma experiência pessoal em um empreendimento de sucesso. A ideia surgiu após ele adaptar um berço para conseguir levar seu filho de 11 meses para curtir o carnaval com segurança e conforto. O vídeo da invenção viralizou nas redes sociais, indicando uma demanda reprimida de pais que queriam pular carnaval com seus bebês.

Rios investiu R$ 150 mil para criar um bloco estruturado especificamente para a primeira infância. Hoje, o evento atrai cerca de 10 mil pessoas e oferece uma infraestrutura robusta: fraldário, espaço dedicado à amamentação, controle rigoroso do volume do som, pulseirinhas de identificação para as crianças e roteiros que priorizam locais com sombra.

O modelo de negócio se baseia na venda de cotas de patrocínio e parcerias estratégicas com empresas do setor infantil. Apenas no mês do carnaval, o bloco chega a faturar R$ 70 mil. Além da receita direta, o evento gratuito funciona como uma “vitrine”, servindo de porta de entrada para outros projetos infantis pagos que a empresa de Rios realiza ao longo do ano.

Folia na Terceira Idade (RJ)

Em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, a psicopedagoga e geronmotricista Beatriz Rimes seguiu um caminho semelhante, mas focado no extremo oposto da pirâmide etária. Seu bloco dedicado ao público idoso nasceu de seu trabalho com estimulação cognitiva em uma instituição de longa permanência (ILPI).

A primeira edição, realizada em 2025, colocou os idosos como protagonistas, que levaram suas famílias para o desfile. Para garantir a segurança e o bem-estar dos foliões, o bloco conta com uma logística cuidadosa: voluntários para auxiliar na locomoção, pontos de hidratação com água filtrada, áreas de descanso estratégico e um trajeto planejado para evitar desgaste físico excessivo. Uma van da ILPI parceira acompanha todo o percurso para dar suporte.

O impacto financeiro para Beatriz veio no pós-carnaval. Após o sucesso do desfile, sua clínica registrou um aumento de cerca de 150% no faturamento, impulsionado pela maior procura por atividades de estimulação cognitiva e serviços focados no envelhecimento saudável.

No “esquenta” para a folia deste ano, o clima entre os participantes, incluindo um senhor de 96 anos, resumiu o espírito do empreendimento. Uma participante de 64 anos definiu: “Envelhecer é obrigatório, mas ficar velho é opcional”.

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