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Cifrões na Avenida: Carnaval 2026 consome R$ 123 milhões em verbas públicas no RJ

Financiamento estatal para desfile que homenageou o presidente Lula gera forte reação da oposição e vai parar no TCU.

O brilho dos paetês e o som das baterias na Marquês de Sapucaí em 2026 vieram acompanhados de cifras que acenderam um alerta vermelho nos órgãos de controle. As escolas de samba do Rio de Janeiro receberam, ao menos, R$ 123,6 milhões em dinheiro público, provenientes dos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros. O montante engloba repasses das esferas federal, estadual e municipal.

A maior fatia dos recursos foi destinada ao Grupo Especial, que abocanhou R$ 77,8 milhões. Entre as agremiações beneficiadas está a Acadêmicos de Niterói, que gerou polêmica nacional ao levar para a avenida uma homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso ganhou contornos jurídicos após a confirmação de que a escola recebeu R$ 1 milhão via Embratur, órgão do governo federal.
No cenário nacional, o Carnaval de 2026 contou com um total de R$ 85,2 milhões em repasses federais diretos. Um dado que chama a atenção é a influência política na distribuição desses valores: R$ 52 milhões vieram de emendas parlamentares em pleno ano pré-eleitoral. A bancada da Bahia, por exemplo, destinou sozinha R$ 30 milhões para festas no estado.

A oposição no Congresso Nacional já se movimenta para questionar o uso de verba pública em eventos que exaltam figuras políticas em exercício. O foco principal é a fiscalização junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), sob o argumento de que o patrocínio estatal não deve ser utilizado como ferramenta de propaganda ideológica ou personalismo político.
Por outro lado, o setor cultural e turístico celebra o impacto econômico da festa. A projeção é que o Carnaval movimente R$ 18,6 bilhões na economia brasileira, com um fluxo de 65 milhões de foliões nas ruas. Defensores dos repasses afirmam que o valor investido pelo Estado retorna multiplicado através da geração de empregos e arrecadação de impostos no setor de serviços.

A discussão que fica para o contribuinte, no entanto, vai além dos números. O debate central agora gira em torno da moralidade administrativa: até que ponto o dinheiro do pagador de impostos deve financiar narrativas políticas específicas sob o manto da cultura popular? O desfecho das investigações no TCU pode mudar as regras de patrocínio para os próximos anos.

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