Washington, 16 de julho de 2025 —
A economista brasileira Susana Cordeiro Guerra foi nomeada vice-presidente do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe, assumindo um dos cargos mais estratégicos da instituição financeira internacional. A nomeação marca um momento de grande relevância para o Brasil, dada a posição de destaque que ela ocupará na formulação e gestão de políticas de desenvolvimento econômico na região.
Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Susana Cordeiro tem carreira consolidada em instituições multilaterais e forte trânsito em Washington. A nova função será responsável pela supervisão de aproximadamente US$ 32 bilhões em investimentos, sendo cerca de US$ 14 bilhões direcionados ao Brasil.
Formação e trajetória internacional
Susana possui graduação em Harvard e doutorado em Ciência Política pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Trabalhou por anos no próprio Banco Mundial, coordenando projetos de combate à pobreza, infraestrutura e saneamento na África, Ásia e América Latina. Sua gestão no IBGE, entre 2019 e 2021, foi marcada pela tentativa de modernizar o instituto e pelas dificuldades orçamentárias enfrentadas na realização do Censo Demográfico, que motivaram seu pedido de exoneração.
Conexões com Washington e com a família Trump
Atualmente casada com Elbridge Colby, ex-subsecretário de Defesa dos Estados Unidos e figura influente na política externa americana, Susana também tem laços pessoais com a família presidente Donald Trump. Ela é próxima de Ivanka Trump e Jared Kushner, sendo madrinha de uma das filhas do casal. Essas conexões a colocam em posição privilegiada nos bastidores do poder norte-americano.
A nomeação é vista nos bastidores como uma sinalização de aproximação entre o Banco Mundial e o eixo conservador de Washington, sobretudo com a possível volta de Trump ao poder. Também representa um novo momento para o Brasil, que poderá ter maior influência e acesso a recursos estratégicos da instituição.
Repercussão e desafios
A entrada de Susana na vice-presidência ocorre em um cenário global de tensões comerciais e disputas geopolíticas. Com sua experiência técnica e capacidade de articulação política, a economista terá a missão de fortalecer a presença da América Latina nas decisões do Banco Mundial, promovendo políticas que estimulem o crescimento econômico, a sustentabilidade e a inclusão.
Além disso, analistas apontam que a presença de uma brasileira no alto escalão da instituição pode facilitar o acesso do Brasil a programas e financiamentos internacionais, especialmente em áreas como infraestrutura, educação e desenvolvimento regional.