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Trump diz que EUA vão governar Venezuela interinamente, controlar petróleo e que María Corina não fará parte da gestão

Em pronunciamento após a captura de Nicolás Maduro, presidente americano anuncia retorno de petroleiras ao país, invoca Doutrina Monroe para ampliar domínio no Ocidente e detalha operação militar comparada à Segunda Guerra Mundial.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA vão “administrar” a Venezuela de forma interina através de um grupo designado por Washington. O anúncio ocorreu após uma operação militar de larga escala que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

Em pronunciamento oficial e em entrevista à rede Fox News, Trump detalhou os planos econômicos, políticos e militares para o país sul-americano, indicando que a líder opositora María Corina Machado não fará parte do novo governo e que petroleiras norte-americanas voltarão a operar em solo venezuelano.

Governo Interino e Transição

Trump declarou que os EUA assumirão o governo da Venezuela por meio de um “grupo” que está sendo montado, até que haja uma transição de poder. “Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, afirmou Trump. O presidente não especificou quem integrará este grupo nem estabeleceu prazos, dizendo apenas que informará os nomes em breve.

Rejeição a María Corina e Diálogo com Delcy

Contrariando expectativas de parte da comunidade internacional, Trump indicou que a vencedora do Nobel da Paz de 2025 e líder da oposição, María Corina Machado — que pediu a tomada de poder imediata pela oposição —, não será colocada no comando. “É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela”, declarou Trump, alegando que ela “não tem apoio interno nem respeito”.

Surpreendentemente, Trump revelou que o secretário de Estado, Marco Rubio, vem dialogando com a vice-presidente do governo Maduro, Delcy Rodríguez. Segundo o presidente americano, Rodríguez “está disposta a fazer o que for preciso”.

Controle do Petróleo e “Conserto” da Indústria

Um dos pontos centrais do pronunciamento foi o anúncio da entrada imediata de empresas norte-americanas no setor energético venezuelano. Trump afirmou: “Vamos fazer o petróleo fluir”. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, disse.

Trump justificou a medida alegando uma reparação histórica: “Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (…). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças”. Apesar do controle americano, Trump garantiu que a China “continuará recebendo petróleo venezuelano”.

Doutrina Monroe e Domínio no Ocidente

O presidente invocou a Doutrina Monroe — política de 1823 sobre a soberania de Washington no continente — para justificar a expansão da influência na região. “Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Não vai acontecer. (…) Sob a administração Trump, estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região”, declarou.

Detalhes da Operação Militar e Captura

Trump classificou a ação militar como “espetacular” e a maior desde a Segunda Guerra Mundial. “Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo”, afirmou.

Segundo o presidente, a captura de Maduro durou apenas 47 segundos. Ele relatou ter assistido a tudo ao vivo, transmitido pelos agentes em campo: “Foi como ver um programa televisivo”. O ataque estava previsto para ocorrer quatro dias atrás, mas foi adiado devido a condições climáticas. Trump também revelou que Maduro tentou negociar uma saída pacífica uma semana antes por telefone. “Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria”, disse.

Sobre o sigilo da operação, Trump admitiu não ter avisado o Congresso previamente, conforme prevê a Constituição, alegando risco de vazamentos. “O secretário de Estado informou membros do Congresso após a ação porque, caso contrário, eles a vazariam. Sempre há vazamentos no Congresso”.

Destino de Maduro e USS Iwo Jima

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram retirados de Caracas por helicóptero e levados ao navio anfíbio USS Iwo Jima, posicionado no Caribe. A embarcação é da classe Wasp, equipada para operar caças F-35B, helicópteros e fuzileiros navais. Trump confirmou que o casal está a caminho de Nova York e que Maduro “será levado a Nova York em um futuro breve”, onde a Justiça decidirá o local de sua prisão enquanto aguarda julgamento.

Possibilidade de Tropas e “Maus Elementos”

O presidente não descartou novas ofensivas. Ele afirmou não ter medo de colocar “tropas na Venezuela” e alertou que “os maus elementos” do regime chavista ainda permanecem no país.

Situação na Venezuela

A capital Caracas foi atingida por uma série de explosões na madrugada de sábado, com relatos de tremores, voos rasantes e colunas de fumaça, especialmente perto da base aérea de La Carlota. Houve corte de energia elétrica. O governo venezuelano, através da vice-presidente Delcy Rodríguez, declarou estado de “Comoção Exterior” e exigiu prova de vida de Maduro. O comunicado oficial denunciou a “agressão imperialista” visando o roubo de recursos como petróleo e minerais, convocando a população para a “luta armada” e pedindo solidariedade internacional.

O cenário de tensão escalou desde agosto, quando os EUA aumentaram a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões, reforçaram a frota no Caribe e classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista.

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