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Atualidades

Raquel Lyra se emociona após cartazes usarem morte do marido para acusá-la sem provas

Materiais anônimos foram espalhados pelas ruas do Recife com acusações graves contra a governadora de Pernambuco. Em vídeo, Raquel pediu respeito à memória de Fernando Lucena e anunciou providências policiais

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), viveu neste domingo, 30 de agosto, um dos episódios mais graves e dolorosos da campanha eleitoral de 2026. Cartazes anônimos com ataques pessoais foram espalhados em diferentes pontos do Recife, explorando a morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena.

Uma das peças apresentava a fotografia da governadora acompanhada de uma acusação de que ela teria provocado a morte do próprio marido para ganhar a eleição de 2022. A afirmação não apresenta qualquer prova e contraria as informações conhecidas sobre o falecimento do empresário.

Outros cartazes chegaram a associar a imagem de Raquel Lyra às de mulheres condenadas por matar os próprios companheiros. O material não tinha identificação de autoria, responsável pela impressão ou informação sobre quem financiou e distribuiu as peças.

Fernando Lucena morreu em 2 de outubro de 2022, aos 44 anos, após sofrer um infarto. A tragédia aconteceu no dia do primeiro turno das eleições estaduais daquele ano, quando Raquel disputava o governo de Pernambuco. O casal tinha dois filhos.

Mesmo enfrentando o luto, Raquel avançou para o segundo turno e posteriormente venceu a eleição, tornando-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco.

Governadora aparece emocionada em vídeo


Ao tomar conhecimento dos cartazes, Raquel Lyra publicou um vídeo nas redes sociais. Com os olhos marejados e demonstrando dificuldade para falar, a governadora contou que viu as imagens quando entrou no carro para cumprir uma agenda de campanha na Zona da Mata Sul.

“Eu entrei no carro para seguir minha agenda hoje, na Zona da Mata Sul, e, como eu sempre faço, abri o Instagram para ver o que estava acontecendo. E pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites”, declarou.

Na sequência, Raquel pediu que os responsáveis não envolvessem seus filhos e a memória de Fernando Lucena na disputa política.

“Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, afirmou.

A governadora classificou o episódio como uma manifestação de ódio e declarou que a política não pode ser utilizada como justificativa para qualquer tipo de ataque.

“O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. Porque, na política, como na vida, não vale tudo”, disse Raquel no vídeo. O pronunciamento tem aproximadamente 42 segundos e rapidamente repercutiu nas redes sociais. UOL⁠

Boletins de ocorrência foram registrados

Após a publicação do vídeo, a campanha confirmou que Raquel Lyra registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil e na Polícia Federal. Portanto, a governadora não ficou apenas na promessa de procurar as autoridades: as medidas policiais já foram formalmente adotadas.

A campanha também informou que pretende acionar o Ministério Público Eleitoral. O objetivo é identificar quem produziu, financiou, imprimiu e distribuiu os cartazes pelas ruas do Recife.

Até a última atualização desta matéria, os responsáveis ainda não haviam sido identificados. Também não existia comprovação pública ligando a ação a qualquer candidato ou grupo político. O caso agora deverá ser analisado pelas autoridades policiais e eleitorais. JC⁠

João Campos repudia os cartazes

Principal adversário de Raquel Lyra na disputa pelo governo de Pernambuco, João Campos (PSB) também publicou um vídeo repudiando o episódio. Ele classificou os cartazes como um “completo absurdo” e afirmou que não aceita que famílias sejam usadas como instrumento de uma disputa eleitoral.

Campos lembrou que também perdeu um familiar durante uma campanha. Seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, morreu em um acidente aéreo durante a eleição presidencial de 2014.

“Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família”, declarou.

O candidato afirmou ainda que acionará a Justiça caso alguém tente atribuir a produção dos cartazes à sua campanha. Segundo Campos, cabe às autoridades descobrir quem produziu, financiou e distribuiu o material.

O candidato Ivan Moraes (PSOL) também prestou solidariedade à governadora e defendeu uma investigação profunda. Políticos de diferentes partidos se manifestaram contra os ataques, entre eles os candidatos ao Senado Túlio Gadelha e Mendonça Filho, além de Michelle Bolsonaro.

Campanha marcada por acusações digitais

O episódio acontece em meio a uma campanha eleitoral marcada por denúncias sobre supostas estruturas digitais utilizadas para atacar adversários. Raquel Lyra e João Campos vêm trocando acusações relacionadas a perfis falsos, notícias manipuladas e grupos dedicados à produção de conteúdo político ofensivo.

Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a retirada de vídeos que associavam Raquel a um suposto “gabinete do ódio” contra João Campos. A Justiça entendeu que as publicações apresentavam suspeitas como se fossem fatos comprovados, embora ainda não existisse uma conclusão definitiva sobre o caso.

A decisão também determinou que a Meta fornecesse informações cadastrais e registros de conexão de quatro perfis envolvidos nas publicações, para permitir a identificação dos responsáveis.

Qual foi o desfecho até agora?

O desfecho imediato foi o registro dos boletins de ocorrência nas polícias Civil e Federal e a decisão da campanha de também procurar o Ministério Público Eleitoral. Os cartazes foram repudiados por adversários de Raquel e por representantes de diferentes correntes políticas.

Ainda não há, porém, um desfecho definitivo sobre a autoria. Ninguém foi publicamente identificado, preso ou responsabilizado até o momento. As acusações impressas nos cartazes não possuem provas, e a morte de Fernando Lucena foi atribuída a um infarto.

Agora, a investigação deverá tentar localizar câmeras de segurança, testemunhas, gráficas, veículos utilizados na distribuição e eventuais rastros financeiros relacionados à produção do material. Até que as autoridades apresentem provas, qualquer atribuição de responsabilidade política seria precipitada.

O episódio ultrapassou os limites de uma crítica eleitoral e atingiu diretamente uma família que enfrentou uma perda repentina. Ao transformar uma tragédia pessoal em instrumento de ataque, os responsáveis colocaram no centro da campanha os filhos de Raquel e a memória de uma pessoa que já não pode se defender.
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