Em uma vitória diplomática e humanitária atribuída à postura firme do governo dos Estados Unidos, o regime iraniano suspendeu a execução do jovem Erfan Soltani, de 26 anos, que estava marcada para ocorrer por enforcamento nesta quarta-feira (14). O recuo de Teerã ocorreu poucas horas após o presidente Donald Trump alertar para “consequências severas” e “ações muito fortes” caso o Irã desse início a uma série de execuções de manifestantes.
O Fator Trump
Desde o Salão Oval, o presidente Trump declarou ter recebido garantias de fontes confiáveis de que as execuções e a matança de civis haviam parado. “Eles disseram que a matança parou e que as execuções não vão ocorrer”, afirmou Trump, embora tenha ressaltado que os EUA continuarão a monitorar o processo de perto antes de retirar qualquer opção militar da mesa.
A ameaça americana não ficou apenas no campo das palavras. Nos últimos dias, Trump:
- Cancelou diálogos: Suspendeu todas as reuniões com autoridades iranianas até que a repressão cessasse.
- Encorajou a resistência: Publicou em sua rede social (Truth Social) que a “ajuda está a caminho” e incentivou patriotas iranianos a tomarem o controle de suas instituições.
- Sanções Econômicas: Anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que mantiverem relações comerciais com o regime de Teerã.
Quem é Erfan Soltani?
Erfan Soltani tornou-se o símbolo da resistência atual. Apaixonado por esportes e moda, o jovem foi preso no dia 8 de janeiro em sua casa, em Karaj, durante a maior onda de protestos contra o regime em décadas. Condenado em um processo relâmpago e sem direito a advogado, Soltani seria a primeira execução oficial desta nova onda de levantes.
Reações Internacionais
Enquanto o Itamaraty, em nota oficial, afirmou que “cabe apenas aos iranianos decidir” sobre o futuro do país — evitando criticar a repressão do regime — outros líderes mundiais elevaram o tom. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, declarou que a teocracia iraniana “vive seus últimos dias”, enquanto o Reino Unido e outros países do G7 ameaçaram sanções adicionais restritivas contra o setor financeiro e de energia de Teerã.
Até o fechamento desta edição, o espaço aéreo iraniano permanecia fechado e o país enfrenta apagões severos de internet, dificultando a confirmação plena de dados sobre o número total de vítimas, que ONGs estimam já ultrapassar os 3 mil mortos desde o início do ano.