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Atualidades

Presidente do TCU ratifica inspeção no Banco Central para apurar liquidação do Banco Master

Medida visa checar as evidências documentais do processo que culminou na liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Nesta segunda-feira (5), o ministro Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), oficializou a autorização para a realização de uma inspeção no Banco Central (BC). A finalidade da ação é investigar os trâmites que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master.

Ainda pela manhã, o ministro Jhonathan de Jesus, relator do processo, ordenou que o corpo técnico da Corte execute a fiscalização na autoridade monetária com “máxima urgência”.

No despacho, o ministro ressaltou que a nota técnica enviada pelo Banco Central se restringiu a uma exposição cronológica simples e aos fundamentos do caso, fazendo referências a registros e processos internos, mas sem encaminhar o conjunto de documentos necessário para comprovar os fatos narrados.

A auditoria terá a missão de examinar, entre outros aspectos, o histórico dos alertas emitidos e das medidas de supervisão aplicadas diante dos sinais de deterioração da instituição financeira. Também será analisado o tratamento dispensado às alternativas de mercado e à possibilidade de uma “saída organizada”.

Vital do Rêgo assegurou que não resta dúvida sobre a competência do TCU para fiscalizar o Banco Central.

“Nos artigos 70 e 71 da Constituição, o TCU é investido do controle externo da administração pública federal direta e indireta, abrangendo a fiscalização patrimonial, operacional, orçamentária, financeira e contábil dos órgãos e entidades, inclusive autarquias como o Banco Central”, declarou o ministro.

Ele acrescentou que “a fiscalização inclui a verificação da economicidade, legitimidade e legalidade dos atos de gestão pública, sem prejuízo da autonomia decisória e técnica do Banco Central”.

No mesmo documento, o ministro relator manteve aberta a possibilidade de aplicar medida cautelar, algo que já havia sinalizado na decisão anterior que exigiu explicações do BC sobre a liquidação do Master.

Em outro ponto do texto, o ministro comunica o fato ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) — relator de um processo sobre o Master naquela Corte —, para fins de ciência e eventual prevenção em ações futuras.

Verificação in loco no BC

A decisão pela inspeção atende a um pedido da própria equipe técnica do TCU, que deseja acessar os documentos que embasaram o relatório enviado sobre o histórico do Master. Isso inclui desde o início da fiscalização dos problemas econômicos e a descoberta de fraudes, até as negociações de venda e a liquidação final.

Visto que a documentação não foi anexada ao relatório e não pode ser retirada do Banco Central por razões de sigilo, os auditores do TCU deverão se deslocar até a sede da autoridade monetária para analisar todo o material dentro do próprio órgão.

Ministro considerou liquidação ‘precipitada’

Na metade de dezembro, o ministro Jhonathan de Jesus havia estipulado um prazo de 72 horas para que o BC prestasse esclarecimentos sobre indícios de que a liquidação do Banco Master teria sido “precipitada”. O processo foi colocado sob sigilo. A intervenção causou estranheza no mercado financeiro, uma vez que o Master é uma instituição privada, e não pública.

Dentro do prazo fixado, o BC precisou detalhar a motivação e fundamentação da liquidação; expor alternativas menos gravosas; apresentar a cronologia e as tratativas; e demonstrar a governança decisória e a coerência interna.

No despacho, o ministro apontou indícios que poderiam caracterizar omissões e irregularidades do BC na condução do caso Master.

Ele considera a possibilidade de, após as diligências, impor uma medida cautelar para que o Banco Central se abstenha de autorizar ou praticar atos que envolvam a desmobilização, transferência, oneração ou alienação de bens de capital essenciais à preservação do valor da massa liquidanda e de outros ativos relevantes.

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