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PF aponta indícios de que Daniel Vorcaro coordenou ataques ao Banco Central e contratou influenciadores por até R$ 2 milhões

A Polícia Federal afirma ter encontrado indícios, no celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, de que ele teria ordenado pessoalmente ações coordenadas nas redes sociais para defender a instituição financeira e atacar críticos, incluindo o Banco Central, autoridades públicas, jornalistas e influenciadores digitais. As informações constam em relatórios da Operação Compliance Zero.

De acordo com a investigação, mensagens extraídas do aparelho apreendido indicam que Vorcaro repassava instruções diretas a auxiliares para impulsionar conteúdos positivos sobre o Banco Master e promover ataques virtuais contra pessoas e instituições que, na avaliação dele, “atuavam contra o banco”.

Entre os nomes citados nos relatórios aparecem os influenciadores Cardoso Mundo (4.3 milhões de seguidores), Firmino Cortada ligado ao PL (2.1 milhões de seguidores) e Carol Dias (7.1 milhões de seguidores) dentre outros que serão investigados . A Polícia Federal apura se esses nomes foram mencionados como alvos das ações digitais ou inseridos nas estratégias de engajamento e disseminação de conteúdo relacionadas às campanhas investigadas.

Video: Reprodução Redes Sociais

Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

As apurações também indicam a existência de contratos firmados com influenciadores digitais de grande alcance, que previam pagamentos de até R$ 2 milhões por campanhas com duração de aproximadamente três meses, envolvendo cerca de oito postagens mensais. Os contratos continham cláusulas rigorosas de confidencialidade e multas que poderiam chegar a R$ 800 mil em caso de descumprimento.

Relatórios citam ainda que André Silva Salvador, apontado como responsável pela contratação de influenciadores para publicar ataques ao Banco Central, teria utilizado o nome de um administrador de empresas ligado ao jornalista Leo Dias para formalizar parte dos acordos. O objetivo, segundo a investigação, seria conferir aparência de legitimidade às contratações.

Desde dezembro do ano passado, perfis de fofoca e páginas populares nas redes sociais teriam recebido propostas para levantar suspeitas sobre a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. A Polícia Federal apura se essas ações buscavam influenciar a opinião pública e pressionar a autoridade monetária em um momento crítico para a instituição financeira.

O Banco Master está sob investigação por suspeitas de irregularidades em operações financeiras e por sua rápida expansão nos anos anteriores à liquidação. A PF avalia se as campanhas digitais integravam uma estratégia mais ampla de reação às apurações conduzidas por órgãos reguladores.

Até o momento, Daniel Vorcaro não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo das mensagens nem sobre os contratos citados nos relatórios. A investigação segue em andamento, e o material apreendido deverá subsidiar futuras medidas a serem analisadas pelo Ministério Público.

A Operação Compliance Zero continua em curso, e novas diligências não estão descartadas.

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