O governo federal sancionou nesta segunda-feira uma lei que proíbe o uso de linguagem neutra em todos os órgãos públicos da administração direta e indireta da União, estados e municípios. A medida surpreendeu parte do próprio eleitorado de esquerda, já que historicamente o PT e seus aliados sempre defenderam a linguagem neutra e a agenda ideológica que a acompanha.
A linguagem neutra, conhecida por expressões como “todes” e “amigues”, nunca fez parte da norma culta da língua portuguesa e sempre foi alvo de críticas da direita, que vê na prática uma tentativa de desconstrução cultural forçada. Ainda assim, por anos, grupos progressistas a defenderam com vigor, impondo o tema em escolas, universidades e repartições públicas pelo país.
A mudança atual, no entanto, desperta um ponto crucial. Por que Lula, que sempre apoiou pautas ideológicas progressistas, agora recua e assina justamente a lei que elimina uma das bandeiras mais barulhentas da militância de esquerda? A resposta parece cada vez mais óbvia: eleições.
Estados e municípios que tentaram barrar a linguagem neutra foram derrubados pelo STF nos últimos anos, sempre sob o argumento de que as normas gerais deveriam seguir a orientação federal. Agora, com a assinatura de Lula, o próprio governo muda o discurso que a esquerda repetiu por tanto tempo. Um recuo brusco que não combina com convicção, mas com cálculo eleitoral.
Com a aproximação do pleito, Lula tenta se afastar de pautas que desgastam sua imagem perante a população e busca sinalizar moderação onde nunca houve. A proibição da linguagem neutra nos órgãos públicos, portanto, não parece um ato de coerência, e sim um movimento desesperado para recuperar parte do eleitorado mais conservador que ele perdeu nos últimos anos.
No fim das contas, fica claro que, quando o assunto é voto, Lula muda até de opinião. E com as eleições chegando, o governo parece disposto a abandonar bandeiras da própria esquerda para tentar melhorar sua imagem diante dos brasileiros.