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Atualidades

Em seu primeiro Natal, Papa Leão XIV clama por diálogo “corajoso” entre Rússia e Ucrânia e lamenta sofrimento em Gaza

Pontífice usou a tradicional bênção “Urbi et Orbi” para pedir negociações diretas no Leste Europeu e alertou para a “carne frágil” das populações civis expostas ao frio e à guerra.

Em sua estreia nas celebrações natalinas como líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV utilizou a tradicional mensagem Urbi et Orbi (“à cidade e ao mundo”), nesta quinta-feira (25), para fazer fortes apelos geopolíticos. Do balcão da Basílica de São Pedro, sob chuva, o pontífice pediu coragem diplomática para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia e destacou a crise humanitária na Faixa de Gaza.

Guerra na Ucrânia: Apelo por negociação direta

Com o conflito no Leste Europeu se aproximando do quarto ano, Leão XIV foi enfático ao solicitar que as partes envolvidas busquem uma solução negociada.

“Rezamos especialmente pelo atribulado povo ucraniano, para que cesse o estrondo das armas e para que as partes envolvidas, com o apoio da comunidade internacional, encontrem a coragem para dialogar de maneira sincera, direta e respeitosa”, declarou.

O pedido ocorre em um momento crucial, em que a Ucrânia analisa um plano atualizado dos Estados Unidos que propõe o congelamento das linhas de frente e a criação de zonas desmilitarizadas.

Gaza e a “Fragilidade da Carne”

Tanto na homilia da Missa do Galo quanto na mensagem desta quinta-feira, o Papa demonstrou profunda preocupação com os civis em Gaza, citando as condições extremas enfrentadas pelos deslocados após dois anos de guerra entre Israel e Hamas.

Fazendo um paralelo teológico, o pontífice comparou a encarnação de Jesus à vulnerabilidade dos refugiados. “Como não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio?”, questionou.

Leão XIV definiu as populações indefesas como “carne frágil”, ferida pelos escombros dos conflitos. “Ao se fazer homem, Jesus assumiu nossa fragilidade, identificando-se com cada um de nós: com aqueles que nada têm e perderam tudo, como os habitantes de Gaza”, afirmou.

América Latina e Migração

O Papa, eleito em maio deste ano, também dedicou parte de seu discurso à América Latina. Ele exortou os líderes políticos da região a superarem a polarização, pedindo espaço para o diálogo pelo bem comum em detrimento de “exclusões ideológicas e partidárias”.

  • Haiti: Foi o único país da região citado nominalmente. O Papa pediu o fim de “toda forma de violência” e um caminho para a reconciliação nacional.
  • Migrantes: O pontífice lembrou o drama daqueles que fogem de suas terras natais em busca de futuro, citando especificamente as rotas migratórias que atravessam o continente americano e o Mediterrâneo.

Para Leão XIV, a paz mundial só será possível quando os “monólogos forem interrompidos” e a humanidade aprender a escutar o próximo.

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