Vice-presidente do PP no Estado, deputado federal reúne trajetória hospitalar, propostas para o SUS e defesa da transparência em um cenário de fortalecimento do partido com Riedel e Tereza Cristina
A combinação entre experiência médica, conhecimento da rede hospitalar e presença na
direção do PP faz do deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS) um perfil a ser
considerado para a Secretaria de Estado de Saúde no segundo governo de Eduardo
Riedel.
Médico há 50 anos, o parlamentar reúne uma trajetória que conecta atendimento
a pacientes, formação de profissionais e participação nas decisões nacionais sobre saúde pública.
Riedel foi reeleito no primeiro turno com 914.323 votos, equivalentes a 67,07% dos
votos válidos.
A vitória fortalece o Progressistas em Mato Grosso do Sul, onde a
legenda é presidida pela senadora Tereza Cristina e tem Ovando como vice-presidente.
A afinidade partidária entre os três acrescenta uma dimensão política à avaliação das credenciais técnicas do deputado.
Formado em 1975, Ovando construiu parte expressiva de sua carreira na Santa Casa de
Campo Grande, a terceira maior Santa Casa do país. Foi coordenador e fundador da
residência de Clínica Médica, com atuação registrada entre 1998 e 2018, além de chefe do Serviço de Clínica Médica e coordenador da Comissão de Residência Médica.
Também foi professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
“Minha história com a Santa Casa não começou na política. Começou em 1972”,
declarou em manifestação publicada em setembro, ao recordar sua chegada ao hospital como acadêmico de Medicina. O vínculo ajuda a dimensionar uma experiência
construída dentro da instituição, no atendimento e na formação de sucessivas gerações de médicos.
No Congresso, essa trajetória encontra continuidade em propostas voltadas à ampliação
do atendimento. Ovando é autor do PL 4.502/2019, que propõe simplificar o
credenciamento de médicos para atender pacientes do SUS de forma complementar,
inclusive em seus consultórios. A iniciativa busca reduzir a burocracia e filas, além de
facilitar o acesso a consultas, aproveitando a estrutura e os profissionais disponíveis na
rede privada para complementar a assistência pública.
O deputado também é autor do PL 1.001/2023, que propõe permitir a dedução de despesas com medicamentos no Imposto de Renda da Pessoa Física. A iniciativa tem
especial relevância para idosos que arcam com gastos contínuos de tratamento e
relaciona a política tributária ao acesso à saúde e à preservação do orçamento familiar.
“A ideia é reduzir a burocracia que hoje é necessária para a participação dos
profissionais no atendimento de usuários da saúde pública”, escreveu Ovando na
justificativa do projeto de credenciamento. A proposta traduz uma preocupação com o acesso do paciente ao médico e com a capacidade de resposta do sistema.
Essa agenda tem relação com os desafios de uma secretaria estadual: organizar a
assistência, integrar serviços e profissionais e construir respostas que alcancem os
municípios. A experiência na coordenação de serviços médicos oferece uma base
pertinente para esse debate, ao lado da interlocução que acumulou em dois mandatos na
Câmara.
A escolha para a pasta também ocorrerá em um contexto que exige atenção à
governança hospitalar. Na Santa Casa, dificuldades financeiras se somaram à crise
institucional provocada pela Operação Antidotum, que levou à prisão de dirigentes em
setembro. A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos, acrescentando à
discussão sobre financiamento a necessidade de controle e prestação de contas.
Após a operação, Ovando defendeu a auditoria de todas as verbas parlamentares
destinadas ao hospital, incluindo as de seu próprio mandato. “Fiscalização não pode
escolher nome nem partido”, afirmou. O deputado já destinou mais de R$ 7,1 milhões
diretamente à Santa Casa. Sua posição vincula a defesa de recursos para a instituição
à demonstração de como foram aplicados e dos serviços entregues aos pacientes.
No plano nacional, o Progressistas também tem uma perspectiva de ampliação de
protagonismo com o projeto de Tereza Cristina de disputar a presidência do Senado em
2027. A senadora já declarou publicamente esse objetivo. Se eleita, seria a primeira
mulher a comandar a Casa e também presidiria a Mesa do Congresso Nacional.
O avanço da direita nas eleições torna essa disputa um dos pontos centrais da
reorganização política em Brasília.
A definição do secretariado caberá a Riedel. Na avaliação de um eventual nome para a Saúde, Ovando apresenta uma combinação relevante: conhece a rotina hospitalar,
participou da formação de especialistas, atua em propostas para o SUS e integra a
direção do partido do governador.
Uma possível indicação aproximaria essa experiência
de uma das áreas em que a capacidade de gestão se traduz mais diretamente na vida da
população.