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Quinta-feira, 25 de junho de 2026

Oposição tenta ressuscitar PEC da anistia após decisão de Moraes sobre lei da dosimetria

BrasilOposição tenta ressuscitar PEC da anistia após decisão de Moraes sobre lei da dosimetria

Parlamentares buscam assinaturas para proposta que prevê perdão irrestrito aos condenados pelo 8 de janeiro e pode beneficiar Bolsonaro.

Brasília — A oposição no Congresso Nacional iniciou nesta segunda-feira (11) uma ofensiva para reativar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede perdão aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O movimento, focado na chamada “PEC da Anistia”, ganhou tração após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender no sábado (9) os efeitos da recém-promulgada Lei da Dosimetria.

A legislação suspensa havia entrado em vigor na sexta-feira anterior, assinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O texto, que amenizava penas, foi inicialmente vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o Congresso reverteu a decisão. Ao conceder a liminar, Moraes baseou-se em duas ações que questionam a constitucionalidade da regra, determinando a paralisação de seus efeitos até a análise do mérito pelo plenário da Corte — julgamento que ainda não tem data definida.

Para o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder de sua bancada na Câmara, a intervenção do STF foi classificada como “esdrúxula”. Diante do bloqueio da legislação ordinária, o parlamentar sustenta que a via de alteração constitucional tornou-se o caminho exclusivo. A prioridade, nas palavras de Cavalcante, é recolher as assinaturas exigidas e dar velocidade à tramitação para “finalmente fazer justiça aos apenados do dia 8 de janeiro”.

O protocolo formal da PEC já foi realizado, mas o rito legislativo exige o endosso de pelo menos um terço dos parlamentares para que a tramitação inicie: o equivalente a 171 deputados federais e 27 senadores. O texto propõe o perdão aos que participaram direta ou indiretamente das invasões em Brasília e foram sentenciados por crimes como dano qualificado, associação criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

A justificativa anexada ao projeto adota um tom combativo contra a Suprema Corte. O documento afirma que impedir a aplicação de uma norma chancelada por ampla maioria legislativa configura “um claro ataque à democracia e à separação dos Poderes”. O texto prossegue argumentando que a reversão de uma decisão do Parlamento por um único juiz é uma “invasão de competência”.

Os desdobramentos de uma eventual aprovação da emenda alcançam também a cúpula política. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente cumprindo prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses, figura entre os potenciais beneficiados. Sob as regras da Lei da Dosimetria agora suspensa, a condenação não seria extinta, mas o ex-mandatário garantiria reduções substanciais tanto no tempo total da pena quanto no período exigido em regime fechado.


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