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Policial

Equipe de salto clandestino registrou acidente com criança meses antes de queda fatal de jovem

Investigações apontam que organizadora do grupo ordenou ocultação de provas após tragédias na Ponte do Esqueleto, em Limeira

Limeira — A trágica morte da jovem Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, arremessada de uma altura de 40 metros sem cabos de segurança na Ponte do Esqueleto, em Limeira, expôs um histórico de graves falhas e operação à margem da legalidade por parte do grupo conhecido como Entrecordas. Investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que, apenas três meses antes da fatalidade ocorrida em junho, a mesma equipe presenciou um grave acidente envolvendo um menino de nove anos, cujo sistema de frenagem falhou durante o salto.

O episódio anterior, registrado em março deste ano, envolveu uma pane no sistema de debreagem — o mecanismo técnico responsável por controlar o freio da corda de sustentação do participante. Na ocasião, a criança saltou acompanhada por um integrante da equipe, mas o mau funcionamento dos equipamentos fez com que o menor colidisse contra o solo. Informações coletadas no inquérito policial indicam que o ocorrido foi minimizado pela gerência para evitar a interrupção das atividades comerciais clandestinas desenvolvidas no local.

Luis Gustavo de Oliveira, integrante do grupo que pulou de forma simultânea com o garoto, descreveu em depoimento formal os instantes que antecederam o impacto. Segundo o instrutor, o menino correu em direção à plataforma e saltou. O sinal de que o procedimento havia falhado veio com o silêncio da vítima durante a queda livre. No chão, a criança foi socorrida por testemunhas, incluindo o próprio pai, que prestava serviços operacionais informais para os organizadores do evento.

"O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o 'uhu', que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal, e eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele. E aí, quando eu olhei para o lado e ele estava no chão"

Mesmo com o trauma e os riscos evidentes constatados no acidente com o menor de idade, a operação comercial continuou operando rotineiramente sem alvarás, autorizações dos órgãos públicos ou qualquer tipo de fiscalização técnica. Em 13 de junho, a ausência de protocolos preventivos mínimos resultou no óbito de Maria Eduarda. A jovem foi impulsionada da estrutura sem que os cabos principais de segurança estivessem conectados ao seu corpo. Registros em vídeo feitos por testemunhas documentaram que o equipamento essencial foi esquecido e permaneceu enrolado no chão da plataforma.

A atuação das forças de segurança resultou no indiciamento de três instrutores — Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 —, que respondem por homicídio com dolo eventual por terem assumido o risco consciente do resultado fatal. Um segundo inquérito concluído pelas autoridades indiciou formalmente a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.

Novos depoimentos de testemunhas apontam que a coordenação do grupo agiu de forma intencional para obstruir as investigações judiciais. A responsável pela empresa teria ordenado que os funcionários apagassem os arquivos digitais e os registros armazenados nas câmeras de monitoramento logo após a queda da jovem. A Polícia Civil mantém diligências para localizar o paradeiro do equipamento de gravação utilizado por Maria Eduarda durante o salto, suspeitando de ocultação de provas por parte dos gestores do grupo clandestino.

A recorrência de incidentes coloca em evidência a urgência de uma fiscalização rigorosa sobre a exploração de esportes radicais em estruturas públicas abandonadas ou sem controle de acesso. Enquanto os defensores dos indiciados classificam o caso como uma fatalidade isolada, os relatórios técnicos consolidam a tese de que a completa falta de conformidade legal e a negligência na checagem de itens básicos de sobrevivência geraram as condições diretas para o desfecho trágico no interior paulista.


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