Os eleitores peruanos foram às urnas neste domingo (12) para escolher o próximo chefe do Executivo em meio a um cenário de forte fragmentação. Com um recorde histórico de 35 candidatos na disputa, as tendências confirmam que o pleito será decidido em um segundo turno. Com 40% das urnas apuradas, a direita assumiu o protagonismo: Keiko Fujimori (Fuerza Popular) lidera com 17% dos votos, seguida de perto pelo ultraconservador Rafael López Aliaga (Renovación Popular), que soma 16%. O centrista Jorge Nieto aparece na terceira posição, com 13%.
A margem estreita entre os primeiros colocados mantém o cenário em aberto para a definição final, mas sinaliza uma preferência do eleitorado por agendas focadas na segurança pública. Ambos os líderes da apuração construíram suas campanhas em torno da promessa de “mão dura” contra a criminalidade e a corrupção. Entre as propostas convergentes de Fujimori e López Aliaga estão a construção de megapenitenciárias de segurança máxima e a retirada oficial do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Aos 50 anos, Keiko Fujimori, herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori, disputa o segundo turno pela quarta eleição consecutiva, agora sob o slogan “a ordem volta”. Já Rafael López Aliaga, empresário de 65 anos e membro da Opus Dei, renunciou à prefeitura de Lima para tentar a Presidência pela segunda vez.
Falhas logísticas e instabilidade institucional
O dia de votação de um contingente de 27 milhões de eleitores não ocorreu sem percalços. A imprensa local e as autoridades registraram atrasos na instalação de mesas e ausência de mesários. Na capital, os problemas na distribuição do material eleitoral impediram que mais de 63 mil pessoas votassem no domingo. Em resposta, Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), determinou que os cidadãos afetados na região poderão registrar seus votos excepcionalmente nesta segunda-feira (13).
O cenário eleitoral reflete a profunda crise de governabilidade enfrentada pelo país. O vencedor do segundo turno assumirá como o nono presidente do Peru em uma década. Além da escalada da violência urbana e da erosão da confiança nas instituições, o próximo mandatário lidará, invariavelmente, com um Congresso fragmentado, o que exigirá forte habilidade de articulação para manter a estabilidade e aprovar reformas estruturais.