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Mato Grosso do Sul

Fuga de detentos no Centro Penal da Gameleira expõe gargalos na segurança de Mato Grosso do Sul

Fuga de três internos ligados ao crime organizado mobiliza forças de segurança e reacende críticas do sindicato a falhas estruturais e baixo efetivo na unidade.

Campo Grande — A fuga de três detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, na capital sul-mato-grossense, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (20), voltou a colocar em evidência as vulnerabilidades estruturais do sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul. Entre os foragidos está Ítalo de Moraes, apontado pelas autoridades como integrante de uma organização criminosa e sobrinho de José Cláudio Arantes, o "Tio Arantes", uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado.

Conforme informações preliminares, a ação teria contado com o apoio externo de cerca de seis homens, que invadiram a unidade prisional após cortarem o alambrado e romperem cadeados até alcançarem a cela disciplinar onde Ítalo estava custodiado. Além dele, escaparam Thiago Pereira Costa e Bruno Araújo da Silva. As forças de segurança instauraram buscas na região imediatamente após a confirmação da fuga.

O histórico de Ítalo de Moraes inclui uma prisão em 2018 por participação no ataque a caixas eletrônicos do Banco do Brasil no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. Na oportunidade, investigações do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras) indicaram que ele atuava como elo da quadrilha chefiada por seu tio, em um roubo que movimentou cerca de R$ 118 mil. Posteriormente, o detento voltou a ser preso com documentos falsos e autuado por tráfico de drogas e associação criminosa.

O episódio repete o histórico da própria unidade, da qual José Cláudio Arantes fugiu em novembro de 2021. "Tio Arantes" permaneceu foragido até 2023, quando foi localizado e preso na Bolívia em uma operação conjunta entre forças policiais. A repetição da dinâmica de fuga na mesma estrutura reforça o alerta sobre fragilidades no complexo.

Em reação ao caso, o Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária (Sinsap) denunciou deficiências antigas no estabelecimento. A entidade destacou a ausência de muralhas de proteção e o deficit de pessoal, apontando que plantões operam com apenas sete policiais penais para custodiar cerca de 1.600 internos — uma proporção superior a 220 presos por servidor. O sindicato frisou ainda que os agentes atuantes nas áreas internas trabalham desarmados, mesmo diante do confinamento de custodiados de alta periculosidade, e cobrou investimentos urgentes na infraestrutura e na valorização da categoria.

Por sua vez, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) confirmou a evasão dos três internos, informou a abertura de procedimento administrativo interno e comunicou o Poder Judiciário. O órgão declarou que a estrutura danificada foi reparada e negou a ocorrência de confronto armado ou invasão com uso de armas de fogo, divergindo do relato inicial sobre a dinâmica do resgate. A situação em Mato Grosso do Sul preocupa especialistas, dado a posição estratégica do estado na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, rotas usadas pelo tráfico internacional.


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