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Policial

Polícia localiza passagem secreta em imóveis de Milton Leite e apreende malas com dinheiro

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo se entregou às autoridades; operação mira esquema do PCC no transporte coletivo.

São Paulo — Durante buscas realizadas na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Civil e o Ministério Público localizaram uma "passagem secreta" conectando duas residências vinculadas ao ex-vereador Milton Leite, em Sorocaba. A diligência resultou na apreensão de R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie. Alvo de prisão preventiva e inicialmente considerado foragido, o ex-presidente da Câmara Municipal paulistana apresentou-se às autoridades horas após a operação.

A ofensiva integra a Operação Vectura Corrupta, focada em desarticular a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus e estruturas do poder público na capital. A Justiça decretou 16 prisões na quinta-feira (17). Desse total, 11 investigados foram detidos, entre eles o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o candidato a deputado estadual Danilo Marco Morgado Silva. Outros cinco permanecem foragidos, a exemplo do presidente do Esporte Clube Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão.

As buscas no interior paulista miraram o endereço de um assessor de Leite, onde as autoridades acreditavam que o político pudesse estar abrigado. Embora o ex-parlamentar não tenha sido encontrado no local, as equipes descobriram o dinheiro acondicionado em malas, cuja origem o funcionário presente não soube justificar. A estrutura oculta identificada no imóvel permitia o trânsito direto para a residência vizinha — propriedade que pertenceria a Leite e que se encontrava vazia no momento da incursão.

A tese central do Ministério Público é de que o PCC controla, direta ou indiretamente, ao menos 12 das 22 empresas que operam o sistema de transporte coletivo de São Paulo. A conexão do político ao esquema sustenta-se em diálogos interceptados e depoimentos de policiais militares, que o apontam como "dono de fato" da Viação Transwolff. A companhia de ônibus já havia sido devassada pela Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024.

A defesa do ex-vereador nega qualquer associação com a facção criminosa ou ingerência sobre a Transwolff, declarando que provará sua inocência ao longo do processo. A empresa de transportes também emitiu posicionamento negando que o político detenha participação societária ou atue em sua gestão.


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