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Mato Grosso do Sul

Extrema pobreza cai 40,72% em Mato Grosso do Sul em dois anos

Estado vence premiação nacional do CLP e mira ser o primeiro do País a erradicar a extrema pobreza

Mato Grosso do Sul completa nesta terça-feira (13) 49 anos de criação com um resultado que passou a somar-se à liderança do Estado no crescimento econômico do País: o combate à extrema pobreza. O Governo do Mato Grosso do Sul recebeu, em cerimônia realizada em São Paulo, o prêmio nacional Excelência em Competitividade 2026, concedido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), pela iniciativa Sem Deixar Ninguém Para Trás. Em dois anos, a extrema pobreza no Estado caiu 40,72%, de 2,7% para 1,6% da população — o terceiro menor índice do Brasil.

A iniciativa foi desenvolvida pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) e reúne programas de proteção social que combinam atendimento imediato às famílias em vulnerabilidade com ações de ampliação de autonomia. Entre eles estão o Mais Social, o Energia Social, o Cuidar de Quem Cuida e o MS Supera.

O Mais Social — um dos programas de maior peso na política de segurança alimentar — oferece às famílias um cartão exclusivo para compra de alimentos, produtos de higiene e limpeza e gás de cozinha, com proibição expressa de uso em bebidas alcoólicas e produtos à base de tabaco. Desde 2023, mais de 27 mil pessoas deixaram o benefício por terem melhorado de vida.

Uma delas é Quitéria Bernado da Silva, de 58 anos, que recorreu ao programa num momento de desemprego, com os filhos ainda pequenos. "O Mais Social foi uma ajuda no momento em que eu mais precisava, quando minhas crianças eram todas pequenas e eu estava desempregada. Eu só tenho a agradecer ao programa, que me acolheu quando precisei", contou.

Com a conquista de um emprego fixo em um prédio na avenida Afonso Pena, em Campo Grande, e renda suficiente para se manter sem o auxílio, Quitéria devolveu o cartão. "Quando a minha situação melhorou, eu decidi abrir mão do programa para que outra pessoa pudesse receber o Mais Social", disse.

O Estado também inverteu a lógica tradicional dos programas sociais: em vez de esperar que as famílias em situação de vulnerabilidade procurassem o auxílio, servidores do Mais Social passaram a ir atrás dos chamados "invisíveis" — pessoas sem nenhum tipo de benefício —, por meio do cruzamento de bancos de dados e de georreferenciamento.


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Para o governador Eduardo Riedel, o resultado nasce de uma escolha de prioridade do Estado. "Esse projeto é fruto de uma indignação: um estado que cresce como Mato Grosso do Sul não pode pensar em deixar alguém para trás", afirmou. Riedel destacou que a queda do índice de pobreza extrema, de 2,7% em 2022 para 1,6% atualmente, confirma a eficácia do programa e sustentou que o trabalho para erradicar a extrema pobreza no Estado deve continuar.

Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) reforçam o quadro: 44.604 pessoas saíram da situação de pobreza em Mato Grosso do Sul entre março de 2024 e março de 2026. No mesmo período, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, 34 mil famílias deixaram a condição de insegurança alimentar.

A secretária da Sead, Patrícia Cozzolino, atribui o avanço a uma mudança de desenho dos programas sociais. "Uma das coisas que mais nos angustiava eram as pessoas à margem de tudo, que a gente denominou de invisíveis sociais", relatou. Segundo a secretária, todos os programas foram transformados em estruturantes, de modo que o Estado não se limita a transferir renda.

É o caso do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família: Criança na Creche, que concede apoio financeiro a mães solo beneficiárias do Mais Social para garantir aos filhos um local seguro de cuidado nos horários em que precisam trabalhar. O MS Qualifica, por sua vez, reserva vagas exclusivas de qualificação profissional para quem está no Mais Social.

Cozzolino associa o resultado à combinação entre os programas estruturantes e o desempenho da economia estadual, com geração de empregos e oportunidades. "Nós estamos caminhamos para ser o 1º estado do País a erradicar a extrema pobreza", projetou.


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