A atuação da senadora Soraya Thronicke durante a sabatina do PGR Paulo Gonet chamou atenção e levantou questionamentos sobre a coerência de seus posicionamentos. Em um movimento que soou contraditório para grande parte da população, Soraya saiu em defesa dos advogados de investigados na CPMI que apura golpes contra aposentados, caso que envolve denúncias de manipulação e prejuízo financeiro a idosos.
Ao mesmo tempo, ela pediu investigação contra advogados que atuam na defesa de outros idosos — justamente os presos do 8 de janeiro. A diferença de tratamento entre um grupo e outro gerou forte reação nas redes e abriu espaço para a pergunta que não quer calar: por que dois pesos e duas medidas?
Enquanto advogados ligados a investigados por práticas que afetaram financeiramente aposentados recebem defesa pública da senadora, profissionais que atuam na assistência jurídica de detidos do 8 de janeiro são alvos de suspeição e pedidos de apuração. A disparidade de postura levanta dúvida sobre o verdadeiro critério adotado por Soraya: a preocupação é realmente com idosos ou apenas com interesses políticos circunstanciais?
A fala dela acabou destacando o paradoxo: defender advogados de um caso que envolve prejuízo direto a pessoas vulneráveis, e ao mesmo tempo tentar fragilizar advogados que prestam assistência a outro grupo — também vulnerável, também composto por idosos — cria uma imagem de seletividade difícil de explicar.
O episódio ampliou as críticas à postura da senadora, acusada por muitos de atuar conforme a conveniência do momento e não conforme um princípio jurídico claro. Para quem acompanha a política sul-mato-grossense e nacional, a cena reforçou a impressão de que, para alguns parlamentares, a régua moral muda conforme quem está sendo defendido.
A controvérsia deixou no ar uma pergunta incômoda: quando se trata de idosos, a defesa vale apenas para alguns?