A localidade engloba aproximadamente 90% das remessas de petróleo do Irã ao exterior. Trump declarou que preservou as instalações petrolíferas, porém alertou que pode rever tal determinação.
O chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, comunicou ao longo desta sexta-feira (13) a determinação de um ataque aéreo direcionado à ilha de Kharg, situada no Irã.
A área é tida como um ponto estratégico e é responsável por quase 90% de todo o petróleo exportado pelo regime iraniano.
Especialistas demonstravam apreensão com uma ofensiva no local, visto que a paralisação das operações na ilha teria o potencial de gerar reflexos diretos no comércio mundial da commodity.
Contudo, Trump garantiu que optou por preservar a estrutura de produção de petróleo, ressaltando que as explosões se restringiram unicamente a alvos de cunho militar.
O mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou nesta sexta-feira (13) ter autorizado uma ofensiva militar contra a ilha de Kharg, no território iraniano. O pedaço de terra possui um papel estratégico vital e responde por cerca de 90% das vendas externas de petróleo do Irã.
Analistas internacionais receavam uma incursão na área, dado que um hiato nas atividades locais seria capaz de abalar o mercado petrolífero ao redor do globo. Apesar disso, Trump assegurou a decisão de resguardar o complexo petroleiro, informando que os mísseis focaram estritamente em bases militares.
Posicionada a uma distância inferior a 25 km do litoral iraniano, nas águas do Golfo Pérsico, a ilha de Kharg acomoda o mais importante terminal de petróleo da nação.
O diminuto trecho terrestre, que possui extensão aproximada de 8 km, recepciona o óleo cru carreado através de dutos originários de imensos campos de extração localizados no sudoeste do país.
Nesse perímetro, o combustível fóssil é estocado e transferido para gigantescos navios petroleiros destinados à exportação.
Nos dias de hoje, a China figura como a maior compradora desse volume de petróleo.
A magnitude dessa ilha para as finanças do Irã é gigantesca, de modo que a suspensão das atividades locais poderia arruinar a estrutura econômica do país por muitas décadas.
“Entre 90% e 95% das exportações de petróleo iranianas passam pela ilha de Kharg”, detalha Emmanuel Hache, chefe de investigações do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), em diálogo com a imprensa.
“Bombardeá-la ou tomar seu controle simplesmente impediria o Irã de exportar seu petróleo.”
Relevância histórica
O valor estratégico de Kharg remonta a épocas antigas. O território insular já exercia uma função de destaque no Golfo Pérsico desde os dias do Império Persa, há mais de dois milênios.
Graças à presença de nascentes de água doce — característica incomum naquela área —, o local converteu-se em uma parada obrigatória para os navios que operavam as rotas comerciais daquela porção do Golfo.
Durante os séculos 16 e 17, a área insular esteve sob o controle de nações da Europa, a exemplo de Portugal e da Holanda, consolidando-se como uma zona crucial para o fluxo de mercadorias no Oriente Médio.
Em um passado mais próximo, Kharg ganhou finalidades de ordem militar, chegando inclusive a sediar um presídio de segurança máxima ao longo do século 20.
Um detalhe de sua geografia contribuiu para converter a ilha na “joia da coroa” do território iraniano: a elevada profundidade das águas em seu entorno possibilita a ancoragem de petroleiros de grande porte, um processo complicado no restante da costa do Irã, marcada por águas mais rasas.
A conversão de Kharg em um colossal polo de petróleo teve início nos anos 1950, sob a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi.
Naquele período, a gestão estatal deflagrou a edificação de complexos voltados à estocagem e ao escoamento do óleo, transformando o espaço na rota prioritária de exportação da nação. Uma parcela dessa estrutura chegou a ser administrada por companhias dos Estados Unidos até a eclosão da Revolução Islâmica, no ano de 1979.
Hoje em dia, os equipamentos instalados na ilha são vistos como uma engrenagem fundamental para a indústria do petróleo no Irã. Projeções apontam que aproximadamente 1,3 milhão de barris da commodity circulam por dia pelo terminal, o qual detém também a capacidade de arquivar um volume de até 18 milhões de barris.
A ofensiva
Por meio de uma postagem na plataforma Truth Social, Trump declarou que a investida “obliterou completamente” a totalidade dos alvos militares do local, classificado por ele como a “joia da coroa” iraniana.
Conforme as palavras do mandatário, o governo norte-americano optou por poupar as refinarias e estruturas de óleo da região. Em contrapartida, Trump asseverou que está apto a rever essa postura se o Irã buscar bloquear o trânsito de embarcações através do Estreito de Ormuz.
Em seu comunicado, o líder dos Estados Unidos proclamou de igual modo que o Irã “não tem capacidade de defender nada que os Estados Unidos queiram atacar” e reafirmou que o Estado persa “nunca terá uma arma nuclear”.
“As Forças Armadas do Irã, e todos os demais envolvidos com esse regime terrorista, fariam bem em depor as armas e salvar o que resta do país, que já não é muito”, registrou o político em seu texto.
“O Irã tinha planos de tomar todo o Oriente Médio e obliterar completamente Israel. Assim como o próprio Irã, esses planos agora estão mortos!”
O alto escalão iraniano encara a ilha de Kharg como um dos flancos mais delicados no desenrolar do conflito. O chefe do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, chegou a declarar na quinta-feira (12) que “qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao ‘abandono de toda a contenção’” do Estado persa dentro do embate bélico.