Em discurso marcado por recados diretos, Lula cobrou soberania nacional, criticou tarifas comerciais impostas sobre exportações e prometeu explorar recursos minerais estratégicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o tradicional discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), para demarcar posição frente às potências globais. Em um pronunciamento voltado à "defesa da soberania nacional", o petista rejeitou qualquer papel de subordinação geopolítica e alertou contra interferências internacionais no processo eleitoral brasileiro, que culmina nas urnas em 4 de outubro.
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém."
A declaração aos representantes dos 193 Estados-membros ocorre no ápice de tensões diplomáticas com os Estados Unidos. As relações bilaterais encontram-se atravessadas pelo cenário político interno do Brasil, onde Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar foi recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca em maio.
Sem citar nominalmente a administração americana, Lula advertiu que o país voltava a presenciar ingerências externas nas eleições. Ele classificou a proximidade com a maior potência militar do mundo como inescapável, mas exigiu parcerias pautadas no fomento ao desenvolvimento, frisando que não permitirá que "os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular".
O embate comercial com o governo Trump, que impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, foi outro alvo central do discurso. O mandatário diagnosticou que a Organização Mundial do Comércio "respira por aparelhos" e condenou nações que capitulam diante dos que utilizam o protecionismo como "armas de coerção e chantagem". Apesar do que chamou de "tarifaço", ele garantiu que a economia nacional registrará um novo recorde de exportações neste ano.
Nas frentes de segurança e tecnologia, Lula rechaçou o monitoramento marítimo estrangeiro, afirmando que o país dispensa "porta-aviões vigiando nossas águas" em favor de cooperação real contra o fluxo financeiro do crime organizado. No campo digital, mirou a ação de "tecno-oligarcas" operando "sem freios éticos", além de prometer resistir às pressões de multinacionais para "privatizar o nosso PIX".
A pauta ambiental e energética encerrou a participação brasileira. Após celebrar a redução do desmatamento amazônico ao menor patamar em 11 anos e lembrar que “a floresta vale mais em pé do que destruída”, o chefe do Executivo confirmou a continuidade da exploração na Margem Equatorial e a extração de terras raras.
Esses recursos, garantiu o presidente, não sairão do país sem contrapartidas para o desenvolvimento. "O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais", sentenciou.
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