R$ 1,325 bilhão ainda aguardam devolução a 26,5 milhões de apostadores, e cerca de 1% dos usuários concentra 80% do saldo pendente
O governo federal informou nesta terça-feira (6) que já pediu o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro, data em que as bets foram proibidas no país. No mesmo período, foram solicitadas remoções de milhares de páginas e perfis em redes sociais.
Esta terça-feira foi o primeiro dia sem operação das plataformas de apostas autorizadas no país, conforme o cronograma da medida provisória editada pelo governo. Dos 188 sites com autorização para operar no Brasil até segunda-feira (5), apenas um continuava no ar nesta terça. O Ministério da Fazenda informou que o bloqueio dessa plataforma também foi solicitado.
Os pedidos de bloqueio equivalem a uma média de aproximadamente 1.103 páginas por dia desde o início da proibição. Além dos sites, o governo pediu a retirada de 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord, além de páginas no Facebook.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o conjunto de páginas, perfis, canais, grupos e servidores atingia mais de 17 milhões de usuários. Para o ministro, a ofensiva contra as apostas ilegais representa uma mudança no fluxo de dinheiro das famílias.
Segundo Durigan, o governo já havia identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia saindo da poupança popular em direção às bets. “Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante”, declarou o ministro no início da noite.
Valores ainda pendentes
O prazo para a retirada voluntária dos recursos terminou às 23h59 de segunda-feira (5). Agora, as empresas têm até quarta-feira (7) para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada usuário, identificados pelo CPF, além da conta bancária utilizada para os depósitos.
Ao todo, R$ 1,325 bilhão segue pendente de devolução, distribuído entre 26,5 milhões de apostadores. A média fica em torno de R$ 50 por pessoa, mas o número descreve mal a distribuição: são 86,2 milhões de contas com saldo entre R$ 0,01 e R$ 0,99, que somam R$ 15,5 milhões. O total de contas supera o de apostadores porque uma mesma pessoa pode manter cadastro em diferentes plataformas.
Concentração dos saldos
Durigan afirmou que cerca de 1% dos apostadores, o equivalente a aproximadamente 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo ainda não devolvido. Já 3,4% dos apostadores reúnem cerca de 90% dos recursos pendentes.
O ministro reconheceu que a maior parte dos usuários tem pouco a receber: “A grande maioria dos apostadores tem saldo muito pequeno.”
Contas sob investigação
O governo pretende investigar cerca de 40 contas com saldos considerados elevados, superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão, segundo o ministro. A apuração deverá verificar a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e eventuais vínculos com organizações criminosas.
A investigação corre em paralelo à devolução dos saldos e às medidas de bloqueio das plataformas consideradas ilegais. Até quarta-feira (7), quando as empresas devem enviar aos bancos os saldos de cada usuário, os R$ 1,325 bilhão seguem aguardando devolução, e a maior parte desse valor está concentrada em uma pequena parcela dos apostadores.
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