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Economia

EUA iniciam cobrança de tarifa adicional de 25% sobre produtos do Brasil

Medida atinge cerca de 3 mil itens da pauta exportadora brasileira, enquanto governo federal articula crédito e apoio à diversificação comercial.

São Paulo — Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre mercadorias importadas do Brasil. A sobretaxa alcança aproximadamente 3 mil itens e atinge 18% do volume total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, marcando um novo patamar de tensão no comércio bilateral.

A cobrança é efetuada diretamente aos importadores americanos no momento em que os produtos nacionais dão entrada no território dos Estados Unidos. Na prática, o encargo inflaciona o custo de aquisição para as empresas locais, o que tende a desestimular encomendas e pressionar a competitividade do setor produtivo brasileiro.

Apesar do alcance abrangente, a regulamentação norte-americana preservou um conjunto de insumos considerados estratégicos pela economia interna do país. Entre os 50 principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025, ficaram isentos da tarifa itens de forte peso na balança comercial, como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, suco de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.

No Palácio do Planalto e nos ministérios econômicos, a avaliação é de que a iniciativa possui motivação política. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a decisão como "injusta e descabida", defendendo que o país mantenha canais diplomáticos abertos e priorize o diálogo para reverter as restrições.

Para mitigar os impactos financeiros sobre as cadeias produtivas atingidas, a gestão federal planeja ofertar linhas de crédito às empresas afetadas pela perda de competitividade. Em paralelo, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) destinará R$ 130 milhões para custear a abertura de novos mercados e redirecionar o fluxo de vendas para outros países.

A conjuntura pode sofrer novos desdobramentos nas próximas semanas. Washington avalia a imposição de uma sobretaxa adicional de 12,5%, fundamentada em supostas inconsistências brasileiras na fiscalização contra o trabalho forçado, o que ampliaria ainda mais os custos de transação para as empresas do país.


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