Líderes das duas maiores economias mundiais concluíram visita oficial na Casa Branca com cerimônia do chá e debates sobre inteligência artificial e comércio.
Washington — Em seu último compromisso na capital norte-americana, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira (25) que a relação entre Pequim e os Estados Unidos continuará pautada pela reciprocidade. O encontro final com o presidente Donald Trump na Casa Branca, marcado por uma tradicional cerimônia do chá chinesa, encerrou dois dias de conversas bilaterais destinadas a atenuar atritos e restabelecer canais de diálogo entre as duas maiores economias do globo.
Durante o rito matinal, pautado por um tom amistoso, o chefe de Estado chinês declarou que o diálogo agregou "novos conteúdos" às relações bilaterais. Nas palavras de Xi, os dois líderes atuam como navegadores responsáveis por traçar a rota das superpotências, em uma convivência que deve permanecer fundamentada "no respeito, na justiça e na reciprocidade". Trump, por sua vez, classificou a reunião como "muito positiva", após já ter afirmado mais cedo que as tratativas haviam sido "muito produtivas" e que "coisas tremendas acontecerão", sem antecipar termos concretos.
O princípio da reciprocidade invocado pelo mandatário chinês remete diretamente à recente guerra tarifária travada entre os dois países. Durante a disputa comercial — atualmente em pausa —, Pequim respondeu sistematicamente a cada elevação de tarifas decretada por Washington com medidas de igual intensidade. Paralelamente às conversas econômicas, a agência estatal chinesa Xinhua informou que os governantes abordaram a questão de Taiwan, o que atraiu críticas imediatas do governo taiwanês. Na véspera, Xi já havia assinalado a obtenção de um "entendimento comum em muitas questões", sem detalhar os pontos acordados.
A agenda na Casa Branca sucedeu a recepção cerimonial de quinta-feira (24), quando Xi assistiu ao sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2 Spirit ao lado de Trump e da primeira-dama Melania Trump. Na ocasião, o líder norte-americano elogiou a interlocução com o mandatário chinês, descrevendo-a como "uma verdadeira amizade" alicerçada no respeito mútuo. Xi ponderou que as nações precisam "manter a linha de não conflito e não confronto", sustentando que os interesses mútuos estão "profundamente entrelaçados" na busca por estabilidade estratégica.
A regulação da inteligência artificial figurou entre os eixos centrais dos debates. Enquanto Trump tem reiterado apelos pelo avanço acelerado da IA para assegurar a liderança tecnológica norte-americana frente a Pequim, Xi manifestou cautela institucional. O presidente chinês defendeu que o setor deve "permanecer sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas", apontando o dever de gerir a ferramenta com responsabilidade.
Antes de embarcar de volta a Pequim, Xi visita o Arquivo Nacional de Washington acompanhado de Trump e das primeiras-damas. O líder chinês não discursará na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre paralelamente em território norte-americano, optando por priorizar a diplomacia direta e as negociações bilaterais de cúpula.
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