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Economia

Brasil mantém maior juro real do mundo mesmo após redução da Selic

A taxa de 9,30% supera a da Rússia e da Colômbia. Em juros nominais, país empata em terceiro lugar global.

A mais recente redução da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central não foi suficiente para tirar o Brasil do topo do ranking global de juros reais. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou nesta quarta-feira (5) a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano. Ainda assim, a taxa real brasileira atingiu a marca de 9,30%, a maior do mundo em uma lista que engloba 40 nações.

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O juro real mensura o peso efetivo do capital ao descontar da taxa nominal a inflação projetada para os próximos 12 meses. O levantamento, compilado pela plataforma financeira MoneYou, mostra a Rússia logo atrás do Brasil, na segunda posição, com uma taxa de 9,09%. A Colômbia completa a lista dos três países com os maiores custos de financiamento, registrando 6,16%.

A dinâmica internacional explica parte do cenário. O relatório do MoneYou indica que as taxas reais caíram na maioria dos países recentemente. A retomada das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, pressionando as expectativas de inflação global, inclusive a brasileira, devido ao impacto direto nos custos dos combustíveis.

Na América Latina, o forte choque econômico sob a gestão de Javier Milei colocou a Argentina na quinta posição de juros reais, com 4,51%, refletindo um panorama ainda marcado por grandes desafios estruturais e inflação elevada.

A análise isolada das taxas nominais, que não considera a corrosão da inflação, revela uma hierarquia distinta, embora o Brasil continue entre os líderes. O primeiro lugar pertence à Turquia, com uma taxa expressiva de 37%, seguida pela Argentina, com 29%. O patamar brasileiro de 14% ao ano coloca o país em um empate numérico na terceira posição global com os russos.

O quarto corte consecutivo da Selic evidencia o processo do Banco Central em flexibilizar a política monetária, mas a resistência do juro real demonstra que as expectativas inflacionárias globais e o cenário de incertezas ainda atuam como limitadores para um alívio mais profundo no custo do crédito na economia.


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