Casos de abuso sexual lideram as notificações; morte brutal de bebê de 10 meses nesta semana reforça gravidade da violência contra crianças no país
O Brasil registrou um aumento de 125% nos casos de violência contra crianças e adolescentes entre 2020 e 2025, revelando um cenário cada vez mais preocupante para a proteção da infância. Os dados, obtidos por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), mostram que os registros cresceram em todas as regiões do país, indicando uma realidade que exige atenção das autoridades e de toda a sociedade.
O levantamento aponta que o Nordeste apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de aproximadamente 1.200% nas notificações durante o período analisado. Em seguida aparece a região Norte, com aumento superior a 800%.
Entre os diferentes tipos de violência registrados, o abuso sexual representa a maior parcela das notificações, correspondendo a cerca de 34% dos casos. Logo atrás aparecem a negligência ou abandono, com 33,3%, e a violência física, com 32,9%. As meninas representam aproximadamente 62% das vítimas notificadas.
Caso da bebê Helena comove o país
Os números ganham ainda mais impacto diante de um dos crimes que mais chocaram o Brasil nesta semana: a morte da bebê Helena, de apenas 10 meses, em Fortaleza, no Ceará.
De acordo com as investigações, a criança foi levada a uma unidade hospitalar já sem vida. Durante os exames, médicos identificaram indícios de violência sexual. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e prendeu dois suspeitos, que deverão responder conforme o andamento das investigações.
O caso provocou grande comoção nacional e reacendeu a discussão sobre a vulnerabilidade de crianças dentro do próprio ambiente familiar, onde ocorre uma parcela significativa dos episódios de violência infantil.
Violência silenciosa
Especialistas afirmam que parte do crescimento nas notificações pode estar relacionada ao fortalecimento dos mecanismos de identificação e registro das ocorrências. No entanto, o aumento também evidencia que milhares de crianças continuam sendo vítimas de agressões físicas, abusos sexuais, negligência e maus-tratos em todo o país.
Grande parte desses crimes acontece dentro de casa e é praticada por pessoas próximas da vítima, dificultando a identificação precoce e tornando essencial a atuação integrada entre famílias, escolas, profissionais da saúde, conselhos tutelares, forças de segurança e órgãos de proteção.
Necessidade de prevenção
O avanço dos casos reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção da violência infantil, ao fortalecimento das redes de proteção e à conscientização da população sobre a importância de denunciar qualquer suspeita de abuso.
Além da responsabilização dos autores, especialistas defendem investimentos em atendimento psicológico às vítimas, capacitação dos profissionais responsáveis pela identificação dos casos e campanhas permanentes de orientação para que sinais de violência não passem despercebidos.
A morte da bebê Helena e o expressivo crescimento das notificações demonstram que a violência contra crianças permanece como um dos mais graves desafios sociais do país, exigindo resposta firme das autoridades e o compromisso de toda a sociedade na proteção da infância.