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Brasil

Senador do PT vota a favor de projeto rejeitado pela esquerda e depois culpa “erro no aplicativo”

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) protagonizou uma cena digna do manual moderno de explicações políticas convenientes ao votar a favor do Projeto de Lei da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Até aí, tudo bem — não fosse um detalhe: ele foi o único senador do PT a apoiar o texto.

O constrangimento, no entanto, durou pouco. Logo após a repercussão negativa entre aliados e militantes, veio a justificativa oficial: não foi convicção, não foi mudança de posicionamento, foi o aplicativo.

Segundo Contarato, o voto favorável teria sido resultado de um “erro técnico”, causado por um suposto atrapalho no sistema de votação do Senado. A tecnologia, ao que tudo indica, resolveu agir sozinha — e, curiosamente, apenas no voto do parlamentar petista.

Em publicação nas redes sociais, o senador fez questão de reafirmar sua fidelidade ideológica, garantindo que sempre lutou para que o projeto fosse derrubado ou, ao menos, tivesse sua discussão adiada. O problema, segundo ele, não foi político, foi digital.

O episódio chama atenção não apenas pelo voto isolado, mas pela naturalidade com que decisões legislativas relevantes passam a ser atribuídas a falhas técnicas invisíveis. Em um Parlamento onde cada voto tem peso jurídico, impacto político e consequência prática, o “erro no aplicativo” surge como um novo personagem da política nacional.

O Projeto de Lei da Dosimetria, vale lembrar, enfrenta forte resistência da esquerda e do PT, que enxergam na proposta riscos ao modelo atual de aplicação de penas. Ainda assim, por alguns instantes — ou alguns cliques — o partido contou com um apoio inesperado dentro de sua própria bancada.

Resta a dúvida: se o voto fosse contra o projeto, o aplicativo também teria errado? Ou o problema técnico só aparece quando o posicionamento não agrada à militância?

No fim das contas, o caso reforça uma velha prática da política brasileira: quando o voto dá errado, a culpa nunca é do parlamentar — é sempre do sistema, do aplicativo ou de algum erro conveniente.

Talvez, nas próximas votações, além de convicção e responsabilidade, seja prudente verificar se o Wi-Fi do Senado está alinhado com a ideologia do dia.

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CCJFabiano ContaratoPTSenado Federal
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