Por Redação BR Times | 24 de julho de 2025
Em mais um episódio que levanta sérias dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou, nesta quarta-feira (24), que entrou com um processo para investigar denúncias de eleitores mortos que, supostamente, registraram votos nas eleições municipais deste ano.
O partido alega que as denúncias são “ataques à democracia” e pede que as autoridades investiguem a origem das listas que apontam CPF e nome de falecidos constando como votantes em zonas eleitorais espalhadas pelo país. A base aliada do governo Lula trata o caso como “desinformação” e tenta minimizar o episódio, mesmo diante de evidências documentadas que começaram a circular nas redes sociais e em grupos de fiscalização eleitoral.
Segundo denúncias de grupos independentes e de representantes da oposição, como deputados da base conservadora, mais de 2.300 registros de votos teriam sido computados em nome de cidadãos já falecidos, alguns deles há mais de cinco anos. Os dados, segundo apurações preliminares, coincidem com cadastros ativos no TSE — o que, para especialistas, indica falhas graves no sistema de controle da Justiça Eleitoral.
Oposição reage: “Não é coincidência, é método”
Para parlamentares de direita, o movimento do PT soa mais como uma manobra preventiva do que como uma preocupação genuína com a lisura do processo. “Estão tentando desviar o foco. O que temos é uma denúncia gravíssima de possível fraude eleitoral. Em vez de abrirem um processo contra a fraude, abrem contra quem denuncia”, disse o deputado federal Marcos Rezende (PL-SP) em entrevista ao BR Times.
A presidente do PL Mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também comentou o caso em suas redes sociais: “Querem calar quem levanta a voz por eleições limpas. Mas o povo brasileiro está acordado e vigilante.”
TSE sob pressão
Enquanto o PT busca responsabilizar os autores das denúncias por “difamação eleitoral”, cresce a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que esclareça, com transparência, como falecidos puderam constar como votantes.
Até o fechamento desta matéria, o TSE não havia se pronunciado oficialmente, mas fontes internas ouvidas sob anonimato apontam que a base de dados da Justiça Eleitoral estaria desatualizada — o que, por si só, já comprometeria a confiança do eleitorado no sistema eletrônico de votação.
Desconfiança crescente
O episódio reforça um sentimento que vem crescendo entre os brasileiros nos últimos anos: a desconfiança em relação à segurança e transparência das eleições no país. Desde as polêmicas envolvendo urnas eletrônicas e a censura a questionamentos legítimos durante o processo eleitoral de 2022, boa parte da população conservadora segue atenta a qualquer indício de irregularidade.
Se confirmado que houve votos atribuídos a cidadãos já falecidos, o escândalo pode abalar ainda mais a credibilidade do sistema eleitoral — e reacender o debate sobre a necessidade de voto impresso auditável, bandeira antiga da oposição que foi rejeitada pelo Congresso sob forte pressão de partidos de esquerda e do próprio TSE.