Juliana Garcia dos Santos Soares, mulher que ganhou notoriedade nacional após ser brutalmente agredida pelo ex-namorado com 61 socos no rosto, anunciou sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) e passou a integrar atos políticos ligados à legenda no Rio Grande do Norte.
Nas redes sociais, Juliana publicou fotos fazendo o gesto do “L” e utilizando a legenda “TREZE!”, em referência ao número do partido. Ela também apareceu ao lado da presidente estadual da sigla, a vereadora Samanda Alves, durante o anúncio oficial da filiação.
A decisão chamou atenção principalmente pela contradição política envolvendo a pauta da segurança pública. O PT possui histórico de posicionamentos contra o endurecimento penal, contra a redução da maioridade penal e frequentemente se posiciona contra propostas defendidas por policiais e pela ala conservadora no Congresso Nacional.
Ao longo dos anos, parlamentares da esquerda ligados ao partido votaram contra medidas mais rígidas de combate ao crime, contra flexibilizações para ação policial e a favor de políticas voltadas à ressocialização de criminosos. Enquanto isso, setores conservadores sempre defenderam penas mais severas, fortalecimento das forças policiais e combate duro à criminalidade.
A filiação de uma vítima de violência extrema a um partido historicamente alinhado a pautas consideradas brandas contra criminosos acabou gerando forte repercussão nas redes sociais. Para muitos brasileiros, não existe coerência em uma mulher que sofreu uma agressão tão brutal se aproximar politicamente de um grupo que frequentemente relativiza a criminalidade e trata criminosos como “vítimas da sociedade”.
O episódio também reacendeu nas redes a comparação entre os discursos da direita e da esquerda sobre segurança pública. Enquanto movimentos conservadores defendem frases como “bandido bom é bandido morto” e leis mais rígidas, a esquerda brasileira costuma focar em políticas sociais, desencarceramento e críticas à atuação policial.
Durante o anúncio da filiação, lideranças petistas destacaram a pauta da violência contra a mulher e afirmaram que Juliana representa resistência após sobreviver ao ataque que chocou o país.
O caso voltou ao centro do debate político justamente por unir dois temas que dominam o cenário nacional: violência contra mulheres e a divisão ideológica sobre segurança pública no Brasil.