O titular da pasta atendeu ao apelo de Lula para entrar na corrida eleitoral no estado. Dados de levantamentos indicam que a disputa pela presidência tende a ser mais acirrada.
O atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai se afastar da liderança do ministério na semana que vem com o objetivo de disputar o cargo de governador de São Paulo, conforme informações de pessoas ligadas ao político.
A expectativa é de que a saída de Haddad do Executivo federal ocorra na quinta-feira (19), com prazo hábil para respeitar o intervalo exigido pela Constituição.
De acordo com as normas eleitorais do Brasil, os ministros que pretendem concorrer em eleições devem passar pela desincompatibilização — isto é, renunciar aos seus postos públicos — com antecedência mínima de seis meses em relação ao pleito, prazo que neste ano se encerra no começo do mês de abril.
Mesmo tendo apresentado relutância inicial, o ministro acatou a solicitação de Lula, que argumentou ser essencial a sua participação na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, enfrentando o governador em exercício, Tarcísio de Freitas (Republicanos), parceiro político do antigo chefe do Executivo, Jair Bolsonaro.
O estreitamento do panorama para a eleição presidencial, sobretudo após a publicação de uma nova pesquisa de intenção de votos no último sábado (7), funcionou como a justificativa definitiva para persuadir o titular da Fazenda.
Em diálogos restritos dentro da base governista, Haddad defendia a tese de que Lula se encontrava num cenário muito mais favorável na corrida presidencial do que no ano de 2022, época em que concorreu contra Bolsonaro, que então ocupava a Presidência da República.
Contudo, os estudos estatísticos vêm indicando um cenário de segundo turno bastante parelho entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Devido a esse fator, a entrada de Haddad na concorrência em São Paulo, um polo eleitoral de grande peso, vem sendo tratada como peça-chave pelos estrategistas do governo.
Cenário em São Paulo
Um fator adicional de peso é que, consoante ao estudo demoscópico publicado no domingo (8), Fernando Haddad exibe uma performance superior em comparação a outras alternativas cogitadas pelo alto escalão governamental, a exemplo do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e da ministra Simone Tebet (MDB).
O chefe da Fazenda, entretanto, segue em desvantagem em relação a Tarcísio nas pesquisas de preferência do eleitorado. O mandatário estadual registra 44% das intenções de voto no levantamento, contra 31% alcançados pelo ministro da Fazenda.