O clima na CPI do INSS ficou tenso nesta segunda-feira (4) com a prisão do presidente da Confederação Brasileira de Pesca, que se recusou a prestar esclarecimentos aos senadores sobre o esquema de descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo dados apresentados na comissão, mais de 215 mil associados registraram queixas formais no INSS contra cobranças indevidas realizadas em nome de sindicatos e associações. Em alguns casos, 99% dos beneficiários teriam sofrido descontos sem qualquer autorização.
Durante a oitiva, o depoente manteve o silêncio mesmo diante de questionamentos sobre a origem de 60 mil novos cadastros realizados apenas em 2024, um número considerado suspeito pelos parlamentares, já que em 2023 a média era de apenas quatro cadastros por mês. A discrepância reforçou as suspeitas de uso fraudulento de dados de segurados do INSS.
A prisão foi determinada após repetidas negativas de resposta, sob acusação de obstrução dos trabalhos da CPI. O senador Carlos Viana, um dos membros mais atuantes da comissão, afirmou que a decisão representa “um ato de justiça em nome das viúvas que choram em silêncio, dos órfãos que herdaram a injustiça e dos aposentados que trabalharam a vida inteira e foram roubados pelo próprio Estado”.
O caso expõe mais uma face do colapso moral e administrativo que atinge os órgãos públicos federais, especialmente sob a atual gestão, que tem se mostrado incapaz de conter os abusos e garantir a proteção dos mais vulneráveis.
A CPI do INSS segue suas investigações para identificar os responsáveis pelo desvio de recursos e pelas irregularidades que atingem milhares de brasileiros em situação de vulnerabilidade.