A política de Mato Grosso do Sul vive um daqueles momentos em que a memória do eleitor é colocada à prova. Figuras que até pouco tempo protagonizavam embates duros, trocas de acusações e disputas eleitorais acirradas agora aparecem lado a lado, em articulações que revelam mais pragmatismo político do que coerência ideológica.
O ex-governador Reinaldo Azambuja, o deputado Capitão Contar e a ex-deputada Rose Modesto surgem agora como parte de um mesmo campo de diálogo, apesar de trajetórias marcadas por confrontos públicos e narrativas completamente opostas em eleições recentes.
De rivais a “aliados circunstanciais”
Durante as últimas disputas eleitorais, Capitão Contar construiu sua imagem justamente como antagonista do grupo político de Reinaldo Azambuja, apresentando-se como alternativa ao que classificava como “velha política”. Já Rose Modesto, que também trilhou caminhos independentes e buscou se consolidar como opção fora dos acordos tradicionais, agora aparece inserida nesse novo rearranjo.
A aproximação levanta questionamentos inevitáveis:
o que mudou de fato — as convicções ou apenas o calendário eleitoral?
Pragmatismo fala mais alto
Nos bastidores, a leitura é clara: em ano pré-eleitoral, alianças improváveis passam a ser vistas como “necessárias”. O discurso de renovação cede espaço à matemática fria da política, onde tempo de TV, estrutura partidária e sobrevivência eleitoral pesam mais que promessas feitas ao eleitor no passado.
Para muitos observadores, essa junção simboliza um velho roteiro da política brasileira: o adversário de ontem vira o aliado de hoje, desde que isso garanta espaço, influência e viabilidade nas próximas eleições.
O eleitor no centro do jogo
Resta saber como o eleitor sul-mato-grossense reagirá a esse movimento. Em um cenário de descrédito e cansaço com alianças contraditórias, a cobrança por coerência tende a aumentar. Afinal, quem ontem era tratado como problema, hoje aparece como solução?
Em Mato Grosso do Sul, 2025 já começa deixando claro que, mais uma vez, a política se movimenta rápido — e nem sempre na mesma direção do discurso que a sustentou no passado.