Quem realizar a recarga até às 23h59 de hoje (5) poderá utilizar os créditos com o valor antigo por até seis meses; nova tarifa de R$ 5,30 entra em vigor nesta terça-feira (6).
Os passageiros de ônibus da capital paulista que utilizam o Bilhete Único têm até às 23h59 desta segunda-feira (5) para garantir o valor atual da tarifa de R$ 5,00 por até 180 dias. A partir da meia-noite desta terça-feira (6), o valor da passagem será reajustado em R$ 0,30, subindo para R$ 5,30.
De acordo com as regras estabelecidas pela Prefeitura de São Paulo, cada usuário do Bilhete Único comum pode carregar até R$ 500,00 (o equivalente a 100 tarifas) em seu cartão. Esses créditos continuarão sendo debitados pelo valor antigo (R$ 5,00) até que o saldo se esgote ou pelo prazo máximo de seis meses.
Para os usuários da modalidade Vale-Transporte, o limite de recarga acumulada é maior, chegando a R$ 1.000,00. Quem efetuar a carga dentro deste limite até o fim do dia de hoje também terá o valor de R$ 5,00 assegurado por 180 dias.
Além dos ônibus municipais, o transporte sobre trilhos também ficará mais caro. As tarifas de trens e Metrô, geridos pelo governo estadual (gestão Tarcísio de Freitas), sofrerão reajuste na mesma data (6 de janeiro), passando de R$ 5,20 para R$ 5,40.
Justificativas e Inflação
O aumento de 6% na tarifa de ônibus foi definido no dia 29 de dezembro pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), após reunião com secretários das áreas de transporte e orçamento. A gestão municipal argumenta que o reajuste ficou abaixo do IPC-Fipe Transporte Coletivo acumulado no ano, que foi de 6,5%.
No entanto, o índice de 6% supera a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE, que registrou 4,46% até novembro.
“Por cinco anos, de 2020 a 2025, houve uma única atualização e, ainda assim, abaixo da inflação. Atualmente, a capital tem uma das menores tarifas da Região Metropolitana de São Paulo e uma das mais baratas do país, considerando também que o valor dá a possibilidade de o passageiro utilizar até quatro ônibus no período de três horas com o Bilhete Único”, defendeu a gestão Nunes em nota.
Desequilíbrio nas Contas e Subsídios Bilionários
O reajuste já havia sido sinalizado pelo prefeito Ricardo Nunes em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, no início de dezembro. Na ocasião, ele citou a necessidade de “manter o equilíbrio” financeiro do sistema.
O custo para manter os ônibus rodando na cidade disparou. Até outubro de 2025, os gastos das empresas operadoras subiram mais de R$ 492 milhões, enquanto a arrecadação com tarifas cresceu apenas R$ 410,3 milhões no mesmo período. Essa diferença obrigou a prefeitura a aumentar o repasse de dinheiro público (subsídio).
Em 2025, o custo total do sistema atingiu a marca de R$ 10,34 bilhões, mas a arrecadação com passagens foi de apenas R$ 4,3 bilhões. O subsídio municipal ultrapassou o recorde de R$ 6 bilhões no ano — valor que deve aumentar ainda mais com o fechamento dos meses de novembro e dezembro.
Outro fator de pressão é a revisão quadrienal dos contratos com as empresas de ônibus. Um estudo da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) indica que essa revisão encarecerá os custos do sistema em pelo menos 9,88% a partir de 2026.
Aumento também na Grande São Paulo
O reajuste não se restringe à capital. Cinco municípios da Grande São Paulo, integrantes do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana (CIOESTE), também elevaram suas tarifas de ônibus de R$ 5,80 para R$ 6,10, valendo já a partir de hoje, 5 de janeiro.
As cidades afetadas são:
- Osasco (Prefeito Gerson Pessoa – Podemos)
- Barueri (Prefeito Beto Piteri – Republicanos)
- Carapicuíba (Prefeito José Roberto – PSD)
- Jandira (Prefeito Doutor Sato – PSD)
- Itapevi (Prefeito Marcos Godoy “Teco” – Podemos)
O aumento de 5,2% nessas cidades também ficou acima da inflação oficial (IPCA). Em comunicado conjunto, os prefeitos justificaram que a decisão foi técnica, visando a recomposição dos custos operacionais para manter a qualidade e segurança do serviço.
Contexto Econômico: Inflação de 2025
Dados do IBGE divulgados em 10 de dezembro mostram que o IPCA de novembro ficou em 0,18%, ligeiramente abaixo das projeções do mercado (0,20%). No acumulado do ano, a inflação oficial está em 3,92%. Nos últimos 12 meses, o índice fechou em 4,46%, dentro do teto da meta estabelecida pelo Banco Central (4,5%). Este foi o menor índice para um mês de novembro desde 2018.