A COP30, que deveria ser o grande palco mundial da agenda ambiental defendida pelo governo federal, virou cenário de caos nesta quinta feira em Belém. Um incêndio atingiu parte da área central do evento, provocou correria entre delegados internacionais e obrigou a evacuação imediata de pavilhões onde ocorriam reuniões oficiais. O episódio lança dúvidas sobre a segurança, organização e capacidade de gestão de um encontro que mobilizou bilhões em investimentos e propaganda.
O fogo começou na chamada Blue Zone, espaço restrito onde acontecem as negociações formais entre países. A fumaça rapidamente tomou conta da área e equipes de emergência precisaram agir com rapidez para retirar participantes. Apesar de não haver registro de feridos até o momento, a situação criou um ambiente de tensão e interrompeu totalmente os trabalhos.
A COP30 vive seus últimos dias, justamente quando as decisões mais importantes são discutidas. A interrupção forçada compromete o cronograma, atrasa acordos e derruba a expectativa de encerramento organizado. A repercussão internacional é imediata e reforça as críticas já existentes sobre a falta de preparo estrutural da sede e a politização do evento pelo governo brasileiro.
Desde o anúncio de Belém como anfitriã da conferência, especialistas e até participantes internos alertavam para fragilidades logísticas, infraestruturais e de segurança. O incêndio confirma muitas dessas advertências e coloca o Brasil em uma posição delicada diante de delegações de todo o mundo. Imagens de fumaça, correria e evacuação já circulam globalmente e prejudicam a imagem do país, que tenta se vender como liderança mundial em sustentabilidade.
O governo federal ainda não esclareceu a causa do incêndio e uma investigação deve ser aberta. Até agora, as informações apontam para falhas estruturais no complexo montado para o evento. A expectativa é de que a organização divulgue um novo cronograma e defina se as negociações serão retomadas no mesmo local, em outra estrutura provisória ou até de forma remota.
Enquanto isso, cresce o questionamento sobre a real capacidade da gestão federal de organizar um evento desse porte. Em vez de refletir seriedade e compromisso técnico, a COP30 termina marcada por improviso, falhas e agora um incidente que poderia ter tomado proporções maiores. O fato expõe a distância entre o discurso ambiental vendido à comunidade internacional e a prática operacional dentro do próprio território brasileiro.
Para muitos, o incêndio se torna o símbolo perfeito do que a gestão atual oferece ao mundo: muita propaganda, pouca eficiência e um rastro de problemas que nem a cortina de marketing verde consegue esconder.