Uma falha grave na infraestrutura da Amazon Web Services (AWS), a maior plataforma de computação em nuvem do mundo, provocou um “apagão” digital de grande escala nesta segunda-feira (20). A interrupção, que durou várias horas, expôs a dependência sistêmica de serviços críticos que rodam na nuvem da Amazon, afetando milhões de usuários e empresas globalmente.
O impacto foi imediato e severo. Gigantes globais do entretenimento que utilizam a infraestrutura da AWS, como a Netflix e o Disney+, ficaram inacessíveis para um número substancial de seus assinantes, que relataram falhas generalizadas ao tentar acessar o conteúdo em streaming.
No Brasil, a queda foi sentida com força em setores essenciais da nova economia digital. O Nubank, um dos maiores bancos digitais do país, reportou instabilidade severa em seu aplicativo, impedindo clientes de realizar transações financeiras, incluindo pagamentos via Pix. Simultaneamente, o iFood, plataforma líder no setor de entregas de alimentos, ficou fora do ar, paralisando pedidos e afetando milhares de restaurantes e entregadores parceiros. Outros serviços populares, como o Airbnb e diversas plataformas de e-commerce, também apresentaram lentidão e erros de funcionalidade.
O incidente parece ter se concentrado em data centers chave na América do Norte, gerando um efeito cascata que paralisou operações em diversos setores.
A Amazon, em comunicado oficial, reconheceu a instabilidade, atribuindo-a a um erro na configuração de um de seus principais serviços de rede. A companhia afirmou que suas equipes de engenharia identificaram a causa raiz e que o sistema estava sendo restabelecido gradualmente.
Enquanto os serviços retomam a normalidade, o episódio reacende o debate no setor de tecnologia sobre os riscos da centralização da infraestrutura de nuvem nas mãos de poucas “Big Techs” e a necessidade de planos de contingência mais robustos por parte das empresas que dependem desses sistemas.