Com produção cuidadosa e denúncia contundente, influenciador escancara os bastidores de perfis que lucram com a imagem de menores de idade e levanta debate urgente sobre limites éticos na internet.
Por Redação | BR Times – 08 de agosto de 2025
Um dos vídeos mais aguardados da série “Esposed”, do influenciador Lucas Olioti, o Felca, finalmente foi ao ar nesta semana. O episódio, que demorou mais de um ano para ser produzido, traz uma análise profunda e crítica sobre dois perfis populares da internet brasileira: o da pequena Kamylinha, que protagoniza vídeos virais ao lado da mãe, e o de Hytalo Santos, criador de conteúdo que frequentemente envolve crianças em seu canal.
O conteúdo do vídeo vai muito além da sátira. Com uma narrativa embasada e visualmente impactante, Felca denuncia o que chama de “indústria digital de exposição infantil”, onde menores de idade são usados como “produtos de entretenimento”, sem voz, sem escolha e sem garantias de proteção.
“Você percebe que existe um roteiro. Que existe uma câmera ligada o tempo inteiro. Que existe um planejamento de conteúdo com uma criança no centro. Isso não é mais espontaneidade — é estratégia, é marketing, é dinheiro”, afirma Felca no vídeo.
Um trabalho de um ano para revelar o óbvio
Felca revela que o episódio exigiu extensa apuração, coleta de provas, análises legais e conversas com profissionais da área psicológica e jurídica. O influenciador argumenta que o problema não está em mostrar a rotina com os filhos, mas em transformar isso em negócio lucrativo às custas da infância.
O vídeo detalha como Kamylinha aparece chorando, sendo corrigida ou colocada em situações vulneráveis — tudo gravado e publicado para uma audiência de milhões. Em outros trechos, Hytalo Santos é criticado por envolver menores em conteúdos forçados, apelativos ou com tom sensacionalista.
Felca também aponta uma monetização desproporcional sobre esses vídeos, com altos ganhos financeiros, sem transparência sobre se e como esses recursos são revertidos para o bem-estar das crianças envolvidas.
Exposição infantil não é conteúdo: é risco
Psicólogos consultados por Felca alertam: a superexposição desde cedo pode gerar danos emocionais, confusão na formação de identidade e até traumas relacionados à validação pública. Além disso, especialistas em direito apontam que a prática pode caracterizar exploração da imagem infantil com fins comerciais, o que pode configurar crime conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Mesmo com a repercussão, muitos internautas ainda tratam o tema com naturalidade, sem perceber os efeitos colaterais de uma infância construída diante das câmeras.
Projeto de Lei e silêncio das plataformas
O vídeo também pressiona plataformas como YouTube e Instagram, que ainda não oferecem mecanismos eficientes para fiscalizar o uso da imagem de crianças em perfis monetizados. No Congresso, há propostas para regulamentar esse cenário, como projetos de lei que proíbem a monetização de perfis infantis e obrigam pais a destinarem parte da receita exclusivamente aos filhos.
Felca, com seu estilo sarcástico e crítico, consegue jogar luz sobre um tema sensível, mas urgente: a infância está sendo explorada digitalmente — e ninguém parece estar prestando atenção.
Denuncie
Se você identificar qualquer conteúdo que explore indevidamente crianças ou exponha menores em contextos inadequados, denuncie de forma anônima e gratuita:
📞 Disque 100 – Canal Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente



