Keiko Fujimori consolida vitória no Peru em meio a contestações da esquerda
Vantagem matemática torna virada impossível, mas adversário acusa fraude e ameaça não reconhecer o novo governo
O cenário eleitoral peruano foi matematicamente definido na noite de terça-feira (23). Com 99,85% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori (Fuerza Popular) atingiu 50,11% da preferência nacional, estabelecendo uma vantagem irreversível sobre Roberto Sánchez (Juntos por el Perú). A consolidação do resultado, no entanto, esbarra na recusa da oposição em aceitar o desfecho do escrutínio.
A diferença atual reflete pouco mais de 43 mil votos de frente para Fujimori, que soma 9.206.241 eleitores contra 9.162.855 de seu oponente. Como restam apenas cerca de 40 mil cédulas a serem processadas pelo sistema eleitoral, uma alteração no topo da disputa tornou-se estatisticamente impossível. Diante do quadro consolidado, a campanha do Fuerza Popular optou pela cautela e informou que aguardará a conclusão total da contagem antes da proclamação oficial de vitória.
Do outro lado do espectro político, o clima é de tensionamento institucional. Sánchez, que chegou a liderar a apuração nos primeiros dias, viu sua posição desmoronar com a totalização dos votos da diáspora peruana — onde Fujimori capturou expressivos 63,2% de apoio. Em resposta, o candidato de esquerda convocou protestos de rua para o próximo sábado (27) e lançou suspeitas sobre o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
“Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori.”
A declaração do candidato reflete a tática de judicialização do pleito. Sánchez protocolou um recurso para tentar anular cerca de 300 mil votos provenientes de peruanos no exterior, alegando supostas irregularidades administrativas na gestão das cédulas. A manobra, que lhe garantiria uma margem teórica de 25 mil votos caso fosse aceita, é vista com ressalvas no meio jurídico. Especialistas consultados pelo jornal local El Comercio classificaram a ação como desprovida de base legal, servindo apenas para postergar a certificação final da eleição.
O embate nas urnas terá reflexos diretos na governabilidade e no desenho de forças em Lima. O Fuerza Popular desponta como a principal âncora do novo Congresso, garantindo 41 das 130 cadeiras na Câmara dos Deputados e 22 dos 60 assentos no Senado. O Juntos por el Perú formará o principal bloco de oposição, com a segunda maior bancada nas duas casas legislativas, desenhando um cenário de forte polarização para a próxima legislatura.
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