-- Localizando… | BTC -- USD / R$ -- USDR$ -- EURR$ --
Quinta-feira, 25 de junho de 2026

Pílula experimental dobra sobrevida em câncer de pâncreas e redefine tratamento

SaúdePílula experimental dobra sobrevida em câncer de pâncreas e redefine tratamento

Resultados do daraxonrasib geram comoção no maior congresso de oncologia do mundo e indicam novo padrão para a doença

Chicago — Um medicamento administrado por via oral praticamente dobrou o tempo de vida de pacientes com câncer de pâncreas em estágio avançado, provocando uma ovação de mais de 50 mil médicos durante a sessão plenária da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), neste domingo (7). O estudo clínico demonstrou que a droga daraxonrasib superou com ampla vantagem a quimioterapia convencional em pacientes metastáticos que já haviam esgotado outras linhas de tratamento.

O câncer pancreático é um dos tumores mais letais da atualidade. O diagnóstico costuma ocorrer tardiamente, e a sobrevida em cinco anos para a forma metastática gira em torno de 3%. O desafio central no tratamento sempre foi a proteína RAS, uma engrenagem celular que sofre mutação em mais de 90% desses casos, permanecendo “ligada” e induzindo a proliferação acelerada do tumor. Por décadas, a comunidade científica considerou esse mecanismo inatingível por terapias direcionadas.

Os dados apresentados do ensaio clínico de fase 3, batizado de RASolute 302, evidenciam a eficácia do novo inibidor. A pesquisa acompanhou 500 pacientes já submetidos a tratamentos prévios sem sucesso, divididos por sorteio entre o novo tratamento e a quimioterapia padrão. No grupo que recebeu o daraxonrasib, a sobrevida mediana atingiu 13,2 meses — o dobro dos 6,6 meses registrados na terapia tradicional. O risco de morte registrou uma expressiva queda de 60%.

O recuo mensurável da doença também apresentou índices marcantes. Mais de 31% dos pacientes submetidos à pílula diária registraram redução direta no tamanho do tumor, enquanto a medicação venosa alcançou apenas 11,2% do grupo de controle. O tempo médio até o câncer voltar a progredir subiu de 3,5 meses para 7,3 meses.

Além da sobrevida ampliada, o perfil de segurança da molécula contrasta com a severidade dos efeitos adversos das opções vigentes. Apenas 1,2% dos indivíduos tratados com o daraxonrasib precisaram interromper o uso por causa de toxicidade grave. No braço da pesquisa que utilizou a quimioterapia, a taxa de abandono chegou a 11,2%.

A reação do congresso reflete a histórica escassez de alternativas terapêuticas para a doença. O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, explicou a dimensão da descoberta ao analisar o perfil da droga, ressaltando o baixo impacto adverso e o ineditismo da abordagem contra a mutação RAS. “Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inédito para essa doença”, afirmou.

Para o especialista, a resposta afirmativa dos mais de 50 mil médicos presentes foi proporcional à robustez científica dos dados. “Eram mais de 500 pacientes com câncer de pâncreas avançado, já sem resposta à quimioterapia, avaliados no desenho mais rigoroso da pesquisa clínica — e com sobrevida dobrada em relação ao padrão anterior. O aplauso em pé foi merecido”, acrescentou Stefani.

O mecanismo do daraxonrasib atua bloqueando a sinalização tumoral em variadas mutações de maneira simultânea, algo até então inédito para inibidores orais no pâncreas. Os desenvolvedores aguardam as próximas etapas regulatórias, que deverão consolidar o remédio como um pilar central para os pacientes desenganados na segunda linha de enfrentamento da doença.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Veja também

Explore outras tags:

Os mais populares