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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Robô de telecirurgia entra em operação em MS e promete ampliar acesso a cirurgias de alta complexidade

CiênciaRobô de telecirurgia entra em operação em MS e promete ampliar acesso a cirurgias de alta complexidade

Mato Grosso do Sul passa a contar com uma tecnologia inédita na área da saúde: um robô de telecirurgia capaz de realizar procedimentos médicos à distância, inclusive com a participação de especialistas localizados em outros estados ou países. O equipamento, de origem chinesa, foi apresentado em Campo Grande e já integra a estrutura hospitalar da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado).

A plataforma utiliza braços robóticos de alta precisão, controlados remotamente por cirurgiões, com suporte de imagens em três dimensões e alta definição. O sistema permite intervenções mais seguras, precisas e menos invasivas, reduzindo riscos e ampliando as possibilidades de atendimento em procedimentos delicados.

A implantação foi anunciada durante coletiva de imprensa no hospital da instituição e reuniu dirigentes da Cassems, representantes da empresa responsável pela tecnologia no Brasil e médicos especialistas em cirurgia robótica. O valor do equipamento é estimado entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões, o que coloca a plataforma entre as mais avançadas disponíveis atualmente no país.

Especialidades atendidas na fase inicial

O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, explicou que o uso do robô será iniciado de forma gradual, priorizando algumas áreas médicas estratégicas. Segundo ele:

“Nós vamos começar com cirurgias de urologia, gastroenterologia, ginecologia e obstetrícia. Outras áreas também podem se beneficiar, como cirurgia plástica, ortopedia e até procedimentos cardíacos.”

A expectativa é que, com a consolidação da tecnologia, o sistema seja ampliado para outras especialidades, aumentando o alcance da cirurgia robótica em Mato Grosso do Sul.

Segurança, menos invasão e recuperação mais rápida

O robô permite a realização de cirurgias minimamente invasivas, com incisões menores, menor agressão aos tecidos e redução da perda de sangue. O pós-operatório tende a ser mais confortável, com menos dor, menor necessidade de medicamentos e retorno mais rápido às atividades diárias, além de diminuição do risco de infecções.

Para os médicos, a tecnologia oferece maior controle durante os procedimentos, graças à filtragem de tremores e à visualização ampliada das áreas operadas, o que facilita intervenções em regiões de difícil acesso.

Modelo de investimento adotado pela Cassems

Sobre o investimento, Ricardo Ayache informou que a Cassems optou, neste primeiro momento, pela locação do equipamento, justamente em razão do alto custo da tecnologia. Conforme destacou o presidente:

“O robô tem um custo elevado, em torno de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões. A locação permite incorporar essa tecnologia sem exigir um desembolso imediato muito alto. No futuro, a compra pode ocorrer, se for mais viável.”

A estratégia busca equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade financeira, permitindo que os beneficiários tenham acesso a procedimentos modernos sem comprometer o orçamento da instituição.

Formação médica e expansão da telecirurgia

Além do atendimento aos pacientes, a plataforma também será utilizada na capacitação de novos cirurgiões. Médicos passam por treinamento em simuladores antes de atuar em cirurgias reais e podem receber acompanhamento remoto de especialistas experientes durante os procedimentos, acelerando a formação profissional e ampliando o acesso à cirurgia robótica, inclusive no interior do Estado.

A chegada da telecirurgia coloca Mato Grosso do Sul entre os estados que investem em inovação como ferramenta para melhorar a qualidade do atendimento médico, reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade.

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