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Saúde

Pescadora refaz exame preventivo no Pantanal pelo programa Saúde da Mulher Rural do Snar

Programa Saúde da Mulher Rural, do Senar/MS, completa dez anos levando atendimento a comunidades isoladas

A pescadora Cleonice de Amorim Pessoa, de 44 anos, moradora de Porto Esperança, em Corumbá, refez neste mês de outubro o exame preventivo que não fazia desde 2013. O atendimento ocorreu durante uma ação do Programa Saúde da Mulher Rural, do Senar/MS, realizada na região da Nhecolândia, no Pantanal sul-mato-grossense.

Entre o último exame e o atual, passaram-se treze anos. No intervalo, o custo do transporte e a distância até os centros urbanos fizeram com que as consultas fossem sucessivamente adiadas — rotina comum entre moradores de comunidades ribeirinhas e pantaneiras distantes dos serviços de saúde.

Porto Esperança fica a cerca de 180 quilômetros de Corumbá, trajeto que pode levar mais de três horas. Para chegar ao ponto de atendimento, Cleonice percorreu uma distância semelhante, saindo de casa ainda de madrugada.

"É muito difícil para mim sair de lá, porque tem que pagar carro e eu não tenho condições financeiras suficientes para isso. Na rotina, a gente acaba deixando a saúde para depois. Só consegui vir hoje porque teve ônibus gratuito para as comunidades. Saímos às 4h30 da manhã para conseguir chegar aqui e ser atendidos. Valeu muito a pena", relata a pescadora.

Durante o atendimento, Cleonice realizou o exame preventivo, conversou com a equipe de saúde sobre cuidados adicionais e recebeu orientação para fazer a mamografia — exame que nunca havia realizado antes.

O receio diante de um possível diagnóstico não desapareceu, mas não foi suficiente para adiar o cuidado mais uma vez.

"Tem que fazer. Eu mesma estou com medo de ir fazer e descobrir alguma coisa, mas creio que não vou ter nada. Hoje, aqui com o ginecologista, pude tirar muitas dúvidas e já aproveitei para fazer o preventivo."

A trajetória de Cleonice ilustra um desafio comum a mulheres de comunidades rurais e regiões afastadas: quando o acesso à saúde exige horas de deslocamento e custos que nem sempre cabem no orçamento familiar, consultas e exames de rotina acabam postergados indefinidamente.

Dez anos de atuação no campo

É para reduzir essa distância que o Senar/MS mantém os programas Saúde do Homem Rural e Saúde da Mulher Rural, iniciativas voltadas a levar atendimento, orientação e informação a comunidades rurais, com foco na prevenção e no acompanhamento periódico.

Em outubro, mês da campanha de conscientização sobre o câncer de mama conhecida como Outubro Rosa, os dois programas completam dez anos de atuação em Mato Grosso do Sul. Para o coordenador de Programas e Projetos de Saúde do Senar/MS, Lucas Gottardi, casos como o de Cleonice ajudam a dimensionar o alcance da iniciativa.

"Há 10 anos, o Programa Saúde da Mulher Rural vem aproximando o cuidado de mulheres que vivem em comunidades rurais e distantes dos centros urbanos, contribuindo para superar barreiras geográficas e ampliar o acesso à informação, à prevenção e aos serviços de saúde. Ao longo dessa trajetória, são muitas as histórias que marcaram e ajudaram a consolidar a importância das nossas ações. A história da Dona Cleonice é uma delas", afirma Gottardi.

O coordenador resume o significado da data redonda completada pelo programa. "Celebrar uma década do Programa é, sobretudo, reconhecer cada mulher alcançada e cada história que fortalece e dá sentido à continuidade das nossas ações", finaliza.


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