Programa criado em Jaraguari em 2016 já chegou a 68 municípios e começa a testar exames laboratoriais com nova tecnologia
O Programa Saúde do Homem e da Mulher Rural, criado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar-MS), completa dez anos em 2026 com um salto de escala: da única especialidade oferecida na primeira edição, em Jaraguari, em 2016, a iniciativa hoje disponibiliza seis áreas médicas e já esteve presente em 68 municípios do estado.
A urologia, com exames de PSA e toque retal, abriu o programa em 2016, ao lado de atendimentos odontológicos do Pingo D'Água e serviços oferecidos pelo próprio município. A partir daí, uma nova especialidade foi incorporada quase a cada ano: ginecologia em 2017, dermatologia em 2018, oftalmologia em 2020, pediatria em 2023 e clínica geral em 2024.
Em 2025, o programa passou a oferecer coleta de biópsia dermatológica, ampliando a capacidade de investigar alterações identificadas nas consultas. Neste ano, a iniciativa entrou na fase piloto do Hilab, tecnologia que permite realizar exames laboratoriais como hemograma completo e hemoglobina glicada diretamente nas ações.
Demanda por atendimento no interior
A ampliação dos serviços resultou de um processo de avaliação das necessidades da população rural e do diálogo com as secretarias municipais de saúde. Em várias localidades do interior de Mato Grosso do Sul, a oferta regular de consultas especializadas é limitada, o que obriga moradores a percorrer longas distâncias em busca de atendimento.
Para responder a essa lacuna, o Senar-MS passou a incorporar especialidades conforme as principais demandas identificadas durante as próprias ações. Além das seis áreas médicas, o programa oferece hoje exames de PSA, citopatológico, optométrico e oftalmológico, somados aos exames laboratoriais ainda em fase piloto.
As atividades também incluem, por meio de parcerias com as prefeituras, vacinação, promoção da saúde, assistência social, cidadania e acesso a serviços públicos. A estrutura de execução cresceu junto com o programa: as equipes de saúde e a infraestrutura foram ampliadas, e o cadastramento dos pacientes passou a ser digital, feito antecipadamente pelas prefeituras parceiras — mudança que reduziu o tempo de espera e tornou o atendimento mais ágil.
Para o coordenador de Programas e Projetos de Saúde do Senar-MS, Lucas Gottardi, a trajetória de dez anos ultrapassa a simples expansão de números. "Quando olhamos para esses dez anos, percebemos uma evolução que vai muito além da ampliação das especialidades e dos municípios atendidos. Conseguimos aproximar os serviços de saúde de famílias que enfrentam dificuldades de deslocamento e acesso a consultas e exames especializados. O maior legado do programa não está apenas nos números, mas nas oportunidades de cuidado que proporcionamos e nas vidas que conseguimos transformar", afirma.
Reconhecimento em 2026
O trabalho do Senar-MS ganhou dois reconhecimentos formais neste ano. No Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) em Manaus (AM), a entidade apresentou um relato de experiência sobre uma ação realizada em 2025 na região da Nhecolândia, no Pantanal de Corumbá — território marcado por grandes distâncias e barreiras geográficas que dificultam o acesso à saúde.
Em março de 2026, o Senar-MS e a equipe do programa também foram homenageados pela Câmara Municipal de Bandeirantes, por meio da Moção de Aplausos e Reconhecimento nº 40/2026, aprovada por unanimidade pelos vereadores em razão dos atendimentos especializados prestados à população local.
De Jaraguari, em 2016, às comunidades alcançadas ao longo de uma década, o programa do Senar-MS chega aos dez anos com seis especialidades médicas, exames em fase de digitalização e um histórico de expansão que a instituição atribui ao diálogo constante com o poder público municipal.
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