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Política

Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6x1 no Senado

Discussão ocorre em meio à pressão eleitoral e críticas à pauta de trabalho

A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado Federal tenta adiar a votação do fim da escala 6x1, prevista para a próxima semana. Senadores bolsonaristas se reuniram nesta quarta-feira (7) e decidiram pedir ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que a votação seja feita somente depois do resultado da eleição presidencial.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não se opõem a discutir a jornada de trabalho no Brasil, mas que este não seria o momento mais adequado. “Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”, declarou Marinho.

Para tentar negociar com Alcolumbre, os senadores escolheram a senadora Tereza Cristina (PP-MT) como porta-voz. Ela se reuniu com o presidente do Senado na tarde desta quarta e expressou o desejo de adiar a votação da proposta. Alcolumbre reiterou que seguirá o regimento da Casa.

Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a proposta de Emenda à Constituição (PEC) do governo e, mais uma vez, defendeu uma proposta alternativa. O texto da oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, com a correspondente diminuição do salário.

Entre os pedidos da oposição, destaca-se a sugestão de que, caso queiram votar, façam apenas a primeira votação da PEC, deixando o restante para após as eleições. Uma PEC precisa ser aprovada em duas votações antes de ser considerada aprovada, o que abre margem para que, mesmo com a primeira aprovação, a proposta não siga adiante.

Alcolumbre rebateu as falas da oposição e deixou claro que seu compromisso era não votar durante as eleições para o Legislativo. Nesse contexto, afirmou que cada senador pode votar o fim da 6x1 sem pressões relacionadas à reeleição. Ele ainda acrescentou que pode acelerar a votação, se essa for a decisão do plenário.

A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PB), informou já estar recolhendo assinaturas para pedir um calendário especial e votar o fim da 6x1 antes do segundo turno. “A cara de quem é contra [o fim da 6x1] tem que ser mostrada”, destacou a senadora.

Pelas regras do Senado, a proposta precisa ser discutida durante cinco sessões no plenário antes da primeira votação. A primeira sessão de discussão aconteceu na terça-feira (6) e a segunda ocorrerá hoje.

Marinho comentou que pedirá que o regimento seja cumprido, buscando deixar a votação para depois das eleições. Contudo, o regimento permite a quebra de prazos, desde que aprovada pelo plenário do Senado.

O clima entre os senadores governistas é de luta para aprovar o texto em dois turnos antes do segundo turno eleitoral, assumindo também a linha de expor integrantes da oposição que tentem evitar a votação. Se aprovada, a PEC prevê inicialmente uma redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado, e em um ano após essa mudança, a jornada seria reduzida para 40 horas.


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