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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Justiça da Venezuela liberta 379 presos políticos após aprovação de lei de anistia histórica

JustiçaJustiça da Venezuela liberta 379 presos políticos após aprovação de lei de anistia histórica

Medida promovida pelo governo interino de Delcy Rodríguez visa pacificação pós-Maduro, mas ONGs alertam que cerca de 650 opositores continuam detidos e criticam brechas na legislação.

A Justiça venezuelana autorizou a libertação de 379 presos políticos na noite desta sexta-feira (20), um dia após o Parlamento aprovar por unanimidade uma lei de anistia. A medida faz parte dos esforços do governo interino, liderado por Delcy Rodríguez desde a deposição e captura de Nicolás Maduro em janeiro, para sinalizar uma transição política no país.

Segundo o deputado Jorge Arreaza, presidente da comissão legislativa responsável pelo texto, os alvarás de soltura começaram a ser cumpridos entre a noite de sexta e a manhã deste sábado (21). Em pronunciamento, Rodríguez defendeu a lei como um pilar para a construção de “uma Venezuela mais democrática, justa e livre”, ressaltando que o momento exige “saber pedir e receber perdão”. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossou a anistia como um “passo transcendental para alcançar a estabilidade” nacional.

Alcance Limitado e Críticas das ONGs

Apesar das libertações recentes — que se somam a outros 448 opositores soltos em liberdade condicional desde o início do ano —, a medida é vista com ressalvas por especialistas e defensores dos direitos humanos.

  • Detidos remanescentes: Segundo a ONG Foro Penal, quase 650 presos políticos ainda permanecem encarcerados no país.
  • Exclusões: Centenas de presos, especialmente militares acusados de atividades classificadas como “terrorismo” (a exemplo dos envolvidos no atentado com drones contra Maduro em 2018), podem ficar de fora do perdão judicial.
  • Burocracia: Alfredo Romero, diretor do Foro Penal, criticou o fato de a anistia não ser automática, exigindo um processo moroso de solicitação perante os tribunais. O diretor da ONG Acesso à Justiça, Ali Daniels, classificou o balanço da lei como “negativo” devido a “graves deficiências estruturais”.

A lentidão e a incerteza geraram protestos prolongados. Familiares realizaram vigílias e até greves de fome em frente a presídios, como na Zona 7 em Caracas. “Precisamos de ações, não de palavras”, cobrou Narwin Gil, parente de um dos detidos, ao encerrar seu protesto após a aprovação da lei.

Libertações de Destaque e Acenos Internacionais

Entre os beneficiados pela nova legislação está o dirigente opositor Juan Pablo Guanipa, aliado próximo de María Corina Machado. Após meses detido sob acusações de conspiração e subsequentes prisões domiciliares, Guanipa obteve “liberdade plena” nesta sexta-feira e foi recebido por multidões em Maracaibo.

A lei de anistia integra uma agenda diplomática e econômica mais ampla de Delcy Rodríguez, que busca reativar o setor petrolífero e normalizar as relações com os Estados Unidos, rompidas desde 2019.

Os acenos já mostram resultados no cenário internacional: o governo da Espanha anunciou que pedirá à União Europeia a suspensão das sanções contra a presidente interina. Paralelamente, na última quarta-feira (18), o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, esteve em Caracas para reuniões com Rodríguez, Padrino e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, consolidando o canal de diálogo com a nova configuração de poder na Venezuela.

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