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Sexta-feira, 6 de março de 2026

Em 24 horas, dois discursos opostos sobre o setor produtivo em MS: Senadora Tereza Cristina assume liderança no agro nacional enquanto Dep Estadual João Catan confronta indústria estadual

AtualidadesEm 24 horas, dois discursos opostos sobre o setor produtivo em MS: Senadora Tereza Cristina assume liderança no agro nacional enquanto Dep Estadual João Catan confronta indústria estadual

Em um intervalo de apenas um dia, Mato Grosso do Sul viu dois movimentos políticos que revelam visões distintas sobre o papel do setor produtivo no desenvolvimento do país.

De um lado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) assumiu a presidência do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, uma das mais relevantes instâncias estratégicas da indústria brasileira. A reunião de abertura dos trabalhos de 2026 colocou em pauta os impactos da geopolítica mundial no agro, o acordo Mercosul-União Europeia, o protecionismo internacional e os desafios estruturais do setor, como reforma tributária, juros elevados e o aumento das recuperações judiciais.

Ao assumir o comando do conselho, Tereza reforçou seu protagonismo nacional na defesa do agronegócio e da agroindústria, destacando que o acordo com a União Europeia, embora longe do ideal, representa avanço estratégico diante de um cenário global protecionista. Também defendeu segurança jurídica, previsibilidade e competitividade como pilares para manter o agro brasileiro — responsável por supersafras e recordes de exportação — como motor da economia.

A fala da senadora foi marcada por tom institucional, foco técnico e articulação internacional, reforçando a necessidade de união entre indústria, agro e poder público para enfrentar desafios econômicos e comerciais.

Do outro lado, exatamente um dia depois, o deputado estadual João Henrique Catan (PL) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para direcionar críticas à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS). Em discurso contundente, questionou incentivos fiscais concedidos a grandes empresas e fez acusações indiretas sobre a relação da entidade com o governo estadual.

A fala gerou desconforto em setores empresariais e parte do próprio campo conservador, que tradicionalmente sustenta a defesa da livre iniciativa, da segurança jurídica e do fortalecimento das instituições representativas do setor produtivo. A FIEMS é a principal entidade da indústria sul-mato-grossense e atua na interlocução econômica, qualificação profissional e formulação de políticas industriais.

Enquanto Tereza Cristina assumia protagonismo nacional defendendo integração comercial, competitividade e fortalecimento institucional do agro e da indústria, o discurso de Catan tensionava a relação com a principal entidade industrial do Estado, levantando questionamentos sobre coerência estratégica dentro do próprio campo político que se apresenta como defensor do empreendedorismo.

Os dois episódios escancaram uma diferença de abordagem: de um lado, atuação institucional voltada à articulação e expansão de mercados; de outro, confronto direto com uma federação empresarial estadual.

Em um estado onde o agronegócio e a indústria têm peso decisivo na geração de empregos, arrecadação e crescimento, o contraste entre cooperação estratégica e embate institucional passa a ser observado com atenção pelos próprios setores que movimentam a economia sul-mato-grossense.

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