Recursos do orçamento federal foram direcionados à Abong, entidade responsável pelo suporte da Frente Parlamentar Mista LGBT+, presidida pela deputada
Brasília — O uso de verbas do orçamento federal voltou ao centro de questionamentos éticos no Congresso Nacional. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) direcionou R$ 1,5 milhão por meio de emenda parlamentar para custear atividades da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong). A movimentação chamou a atenção de setores de fiscalização porque a entidade atua diretamente no suporte e na assessoria da Frente Parlamentar Mista LGBT+, estrutura idealizada e presidida pela própria deputada.
O mecanismo cria um fluxo em que recursos públicos indicados pelo mandato financiam a infraestrutura de uma organização privada dedicada a apoiar a agenda política e as pautas legislativas da parlamentar. A distribuição da verba abrange despesas operacionais da entidade, incluindo a contratação de secretárias executivas, assistentes de comunicação, assessoria jurídica, além do custeio de diárias de hospedagem e passagens aéreas.
Do montante total de R$ 1,5 milhão, ao menos R$ 319,2 mil — cerca de um quinto do valor alocado — foram carimbados para ações diretas de advocacy e cooperação com a frente liderada por Hilton, atuando na pressão por mudanças legislativas de interesse do grupo.
A transferência de emendas para entidades privadas que prestam assessoria direta a frentes comandadas pelos próprios doadores do recurso evidencia fragilidades no controle dos recursos públicos. A utilização do orçamento estatal para financiar salários, viagens e assessoria sob a justificativa de fortalecimento institucional transforma verbas do contribuinte em instrumentos de alavancagem de pautas privadas.
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